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Correio da Manhã

Cultura
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POUCO JAZZ E COM SABOR A BROADWAY

As expectativas eram grandes para ouvir a jovem cantora novaiorquina Jane Monheit, que terça-feira se apresentou ao vivo no Auditório do Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra. Contudo, tais expectativas foram francamente goradas.
25 de Julho de 2002 às 22:15
O início do concerto ainda permitiu alimentar esperanças, nomeadamente através do "swing" que Jane Monheit imprimiu em temas como "Our Love Is Here to Stay", "Just Squeeze Me" e "People Will Say we're In Love". Em destaque esteve também uma versão inglesa de "Dindi", de Tom Jobim, interpretada de forma superior.

No entanto, a cantora exibiu em Sintra uma manifesta falta de características jazzísticas na forma de interpretar, pouca vocação para o improviso e uma ausência de "scat", factos que permitiram perceber que a verdadeira vocação e força interpretativa de Jane Monheit estão muito mais viradas para o estilo Broadway. Como o confirmou, de resto, num punhado de canções de que sobressaíram "Somewhere Over The Rainbow" e "Get Out of Town".

Desespero sem sentido

"Começar de Novo", de Ivan Lins, foi o pior momento do concerto: interpretada em "português", a canção perdeu muito do sentido da letra e, para além de ter sido interpretada em verdadeiro tom de desespero, ao invés da letra, toda ela de esperança no futuro. Teria sido bem melhor que Jane Monheit tivesse cantado a versão inglesa, que até existe, de forma a entender o que diz!

Uma vulgar interpretação de "Cheek to Cheek" e "Águas de Março", esta de Jobim, cantadas em inglês fizeram também parte do repertório, mas pouco ou nada acrescentaram.

Uma nota para o quarteto de acompanhantes, de qualidade, com destaque para David Frahm, no sax tenor.
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