"Eu sou o Prince e esta noite serei o vosso DJ. Não interessa quem actuou antes ou quem actua a seguir." Foi a grande estrela do Festival Super Bock Super Rock e esclareceu assim os 32 mil fãs que se reuniram frente ao palco principal no terceiro e último dia do evento que teve lugar no Cabeço da Flauta, Meco.
Os ponteiros dos relógios aproximavam-se da meia-noite e o público começava a desesperar pela chegada do músico que regressava ao nosso País, depois de estar 12 anos sem actuar em solo português. Com um atraso de 15 minutos, eis que se ilumina o palco, despertando sorrisos, aplausos e gritos para chamar o cantor norte-americano. Porém, Prince fez esperar mais um pouco, deixando que os elementos da sua banda, os New Power Generation, preparassem a sua entrada, com 'Venus de Milo' de fundo, tocado ao piano.
'Prince, Prince!', ouvia-se um pouco por todo o recinto. Dois minutos depois, as suas preces eram atendidas e a estrela da noite subiu ao palco, de guitarra em braços.
Entre 'Delirious', '1999' e 'Little Red Corvette' fizeram as delícias do público, que entoava a uma vez as letras, em uníssono com o cantor.
'Eu amo-vos! Eu quero levá-los todos comigo à volta do Mundo', revelou, servindo também a frase como ligação a mais um tema bem conhecido por todos: 'Take Me With You', provocando nova onda de aplausos.
Transpostos 25 minutos de concerto, o som da guitarra parou e as luzes apagaram. Como som de fundo ficou, novamente, só o piano. O público não gostou da ideia de Prince sair do palco tão cedo e repetiam-se as vozes a questionar: 'onde é que ele foi?'.
A resposta surgiria apenas ao fim de cinco minutos, já com os fãs a iniciarem protestos. 'O Artista', como também é conhecido, fora mudar a indumentária, trocando o fato branco por um amarelo. As energias pareciam vir redobradas e, para se redimir da sua ausência, optou por um dueto com uma das coristas, Shelby J., no tema 'Nothing Compares 2 U', deixando de lado pela primeira vez o estilo Funk para seguir numa vertente mais calma. Isqueiros e telemóveis no ar acompanharam a música, enquanto os casais da assistência se juntavam embalados pela letra.
Foi então que Prince decidiu que não queria apenas ser observado, também ele queria ver quem assistia. 'Liguem as luzes', pediu. Depois de perscrutar o horizonte revelou: 'Vocês são os melhores'. Elogio recebido com nova onda de aplausos.
Com os seus 52 anos de idade, mostrou que energia e força de vontade não lhe faltam, esperando o mesmo de quem via o concerto. 'Vocês estão cansados ou podemos continuar no Funky? Que horas são? Horas do Funk', gritou para a multidão.
Mas o grande momento da actuação ocorreu quando Ana Moura se juntou ao cantor norte-americano em palco. Inédito e, provavelmente, irrepetível, foi possível ver e ouvir a guitarra eléctrica de Prince a tocar Fado, ao dar música para a 'Casa da Tia Mariquinhas', cantado pela portuguesa. Prince comprovou a razão de ser considerado um dos melhores guitarristas do Mundo. Já o novo 'Walk in Sand', integrante do novo álbum, não foi tocado, apesar de ter sido anunciado como o tema que o duo interpretaria durante o espectáculo.
Estava previsto que o concerto terminasse às 1h15 da manhã mas, talvez por culpa do atraso inicial ou pelos incessantes pedidos do público para que Prince continuasse, o cantor ficou em palco mais 20 minutos.
'Purple Rain' foi responsável por mais um momento nostálgico. Conhecido por várias gerações, foi acompanhado a uma voz, com direito a mais isqueiros acesos acima das cabeças.
Antes de sair, conseguiu ainda transformar o areal num ambiente de disco dos anos 80. Sempre com imagens psicadélicas projectadas atrás de si, foi pedindo ao público para dançar com ele, num ritmo eléctrico que contagiou todos.
Prince despediu-se de Portugal e, tal como era esperado, foi o momento mais forte do festival.
CHEGAR AO RECINTO SÓ DEPOIS DE PRINCE
Aos Empire of the Sun coube a tarefa de encerrar o evento.O duo australiano subiu ao palco envergando máscaras e contou com uma boa recepção da plateia, que já cedo começou a dançar, em parte pelo 'bichinho' deixado por Prince, mas também pela música electrónica do álbum 'Walking on a Dream' que fazia vibrar o chão.
No entanto, o festival não foi sinónimo de alegria e satisfação para todos. Às 2h45, quando se aproximava o final da actuação dos Empire of the Sun, ainda havia carros a chegar ao recinto do festival.
'Isto é vergonhoso. Demorei três horas e meia de Lisboa até ao recinto por culpa do tráfego e dos acessos. O festival deveria ter decorrido num local que ficasse mais distante da cidade para que estas situações não ocorressem', protestava Mariana Freitas, que se mostrava zangada e frustrada por ter perdido a actuação de Prince.
Já Alexandre Carvalho, conseguiu assistir ao concerto do 'Artista', mas não poupou críticas devido aos horários do festival. 'Gostei muito de Prince e gostava de ver Empire of de Sun até ao fim. O problema é que amanhã é segunda-feira, dia de trabalho, e ainda tenho que viajar até Beja. Em vez de domingo deviam ter optado por realizar concertos na quinta-feira', disse.
VIAGEM DE 2500 QUILÓMETROS POR STEREOPHONICS
Mas nem só de Prince viveu o evento. Muito antes da subida do norte-americano ao palco, já a audiência se concentrava para ver os para os galeses Sterephonics e o seu rock alternativo.
O som de uma sirene anunciou a sua entrada em cena, provocando uma onda de aplausos e mãos no ar, mesmo antes dos elementos do grupo aparecerem perante a plateia.
‘The Bartender and the Thief' foi o tema escolhido para o início.
"Vamos tocar temas novos, temas mais antigos e outros temas", informou Kelly Jones, vocalista do grupo, em tom cómico.
O auge da sua actuação surgiu quando anunciaram que o seu próximo tema seria um dos favoritos de Prince.
"Falámos com o Prince nos camarotes e ele disse-nos que esta era uma das nossas canções que ele mais gostava", confidenciou, momentos antes dos primeiros acordes de ‘Have a Nice Day'.
O pó começou a levantar no recinto, com os primeiros festivaleiros a encetar passos de dança.
Antes de abandonar o público, deixaram ainda a sua receita para uma boa noite: "Espero que gostem do concerto de Prince. Divirtam-se, embebedem-se e... façam sexo".
Acima das cabeças do público eram visíveis três bandeiras do País de Gales. Sarah Holohen, Lee Webb, Genna Harvis e Stuart Donnelly percorreram mais de 2500 quilómetros, desde Swansea, só para ver e ouvir os seus ccompatriotas.
"Prince não é muito o nosso estilo de música. Viemos mesmo para ver os Stereophonics.", confirmou o grupo, que se mostrou muito animado, sempre a agitar os estandartes do seu país. Críticas, reservam-nas apenas para os acessos e transportes para o evento.
"É difícil encontrar transporte para cá. Não estamos a dormir em Lisboa, pelo que não tínhamos autocarros para vir. Estamos alojados numa localidade mais pequena. Tivemos que chamar um táxi para fazer um percurso de 60 quilómetros", queixaram-se.
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