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Correio da Manhã

Cultura

Projecto de cante em risco

É agora ou nunca. Para o presidente da comissão executiva da candidatura do cante alentejano a Património Imaterial da Humanidade da UNESCO não há motivos para adiar a proposta, que devia ser entregue até amanhã em Paris. Carlos Medeiros nem quer ouvir falar do esperado adiamento deste processo para 2013: "Se o fizerem atiram a candidatura para ‘nunca mais’. A decisão agora é política, até porque não nos foi apontado qualquer defeito", sintetizou ao CM.
29 de Março de 2012 às 01:00
Ranchos e grupos corais do Alentejo querem convencer UNESCO
Ranchos e grupos corais do Alentejo querem convencer UNESCO FOTO: direitos reservados

No entanto, o adiamento para o próximo ano é o cenário que está em cima da mesa, justificado pela necessidade de se ter tempo para criar uma "oportunidade diplomática". Foi essa a ideia expressa pela chefe do gabinete do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Madalena Fischer, que ontem recebeu o documento final da proposta.

No encontro esteve ainda o presidente da Comissão Nacional da UNESCO, António Almeida Ribeiro, que antes, por correio electrónico, tinha feito saber que "não estão reunidas as condições mínimas" para avançar já, suportando-se em pareceres de dois dos nove membros da comissão científica.

Indignados com esta tese, os representantes da candidatura, juntamente com cerca de 500 elementos de ranchos e grupos corais do Alentejo, não desistem e estiveram ontem reunidos na Casa do Alentejo em Lisboa para discutirem o tema: "Ainda acredito no bom senso do primeiro-ministro e do ministro Paulo Portas para fazerem avançar esta candidatura", disse Carlos Medeiros ao CM, que se diz disponível para discutir com o Governo a proposta. Na sua opinião, o que está em causa é "entender o sentido do povo".

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