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Intitulada "Stories from Home", a iniciativa pretende dar visibilidade a vozes de comunidades marginalizadas e promover a empatia e a compreensão intercultural junto de públicos mais jovens.
Duas histórias escritas pela artista Tuaila Milanca sobre a cultura balanta da Guiné-Bissau vão ser publicadas graças a um projeto académico britânico que desafiou estudantes de ilustração a reinterpretar narrativas tradicionais africanas através de linguagens visuais contemporâneas.
Intitulada "Stories from Home", a iniciativa pretende dar visibilidade a vozes de comunidades marginalizadas e promover a empatia e a compreensão intercultural junto de públicos mais jovens e alargados, num contexto politicamente sensível.
"Nós trabalhamos na área das migrações muito com o método de 'storytelling'. É um método muito poderoso, tem muita força e chega a um público mais vasto, não apenas académico", explicou à agência Lusa a professora associada de Antropologia Social da Faculdade de Desenvolvimento Global da Universidade de East Anglia, Maria Abranches.
Após conhecer a autora guineense através da organização The Bridge Plus+ Limited, a académica portuguesa considerou que a ilustração e publicação das histórias seria uma forma de "comunicar histórias de diversidade cultural a um público maior, mais jovem e mais alargado, numa altura em que isso é muito necessário".
"Nós vemos, no Reino Unido e não só, um aumento de discursos anti-imigração e um sentimento muito negativo em relação à imigração", salientou.
O projeto contou com a colaboração da Norwich University of the Arts, que desafiou cerca de 70 alunos do segundo ano do curso de Ilustração a produzir uma história completa, um excerto ou apenas algumas cenas.
Dois desses trabalhos vão agora ser publicados, graças ao financiamento obtido para dar continuidade à iniciativa, que responde também a um dos objetivos da autora: reaproximar as gerações mais jovens das suas origens, valores e tradições.
Natural de Bissau, Tuaila Milanca reside no Reino Unido há quatro anos, embora tenha saído da Guiné-Bissau há 22, tendo vivido anteriormente na Rússia e em Portugal.
As histórias foram escritas quando tinha 16 anos, em Moscovo, para partilhar os costumes da etnia balanta, à qual pertence, e retratar o quotidiano das suas comunidades que observou pessoalmente.
Quando tinha cerca de 10 anos, Milanca refugiou-se com a família numa aldeia para fugir à violência da guerra de 1998-1999, resultante de um golpe militar contra o presidente "Nino" Vieira.
"Saí da Guiné ainda pequena, mas mantenho-me sempre ligada à minha etnia, porque tenho familiares que ainda vivem na aldeia", contou à Lusa.
Agora, com duas filhas pequenas nascidas no Reino Unido, quer que estas conheçam a sua cultura, incluindo práticas como o cultivo de arroz nas bolanhas, o uso dos tambores "bombolom" para comunicação e peças de vestuário como os tradicionais barretes vermelhos.
"E não só. Estamos num país que não sabe muito sobre a Guiné, nem sobre a etnia balanta. Gostava que a população inglesa também pudesse conhecer um pouco destas tradições", acrescentou.
Uma das histórias acompanha Alanten e Alanan, dois irmãos que desobedecem aos avós e entram numa zona proibida da floresta, onde são transformados em árvores pela "dona da mata".
A sua libertação só é possível graças à intervenção do "latindan", uma figura de liderança na comunidade.
Em "A Fuga de Baptida", uma menina obrigada a casar com um homem mais velho foge da aldeia, numa referência aos casamentos forçados que ainda persistem na Guiné-Bissau.
Milanca mostrou-se satisfeita com as ilustrações dos estudantes, sublinhando que "conseguiram mostrar como se vive na aldeia, os trajes e os objetos".
Lois Farnsworth, autora de um dos trabalhos que será publicado, afirmou ter apreciado o desafio de "representar uma cultura com a qual não estava familiarizada".
"Deu-me uma perspetiva mais real de uma comunidade que conhecia pouco e à qual quis dar visibilidade, dando voz às pessoas através da imagem", afirmou.
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