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Correio da Manhã

Cultura
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"Que o concerto seja selvagem”

Simon Taylor-Davis, guitarrista dos Klaxons, fala do concerto de amanhã no MusicBox, em Lisboa, às 21h30.
23 de Outubro de 2010 às 00:30
'Que o concerto seja selvagem”
'Que o concerto seja selvagem” FOTO: DR

Correio da Manhã – Como descreve o novo álbum dos Klaxons, ‘Surfing the Void’?

Simon Taylor-Davis – É um pouco estranho. Um álbum de amor enérgico que mistura conceitos espirituais e a ideia do momento actual, do presente. Acima de tudo é um trabalho optimista e excitante. Mas tenho que voltar a ouvi-lo no seu todo, pois já não o ouço há algum tempo...

- A capa do disco apresenta um gato com um fato de astronauta. Porque escolheram esta imagem?

- Não gostamos muito de cães, então pensámos que seria engraçado usar um gato na capa. É um animal amigável...

- Como surgiu o título?

- O Jamie [Reynolds] disse-nos que tinha escrito este título no seu caderno mas não se lembra como  surgiu. Analisámo-lo e verificámos que se poderia associar ao que temos desenvolvido nos últimos anos. Soou como algo que os Klaxons diriam. De alguma forma, descreve a nossa jornada.

- Após o lançamento deste trabalho, a imprensa noticiou que alguns temas tinham sido inicialmente rejeitados pela editora, tendo sido necessário regravá-los...

- Isso nunca aconteceu. Alguém escreveu isso na Wikipédia e começaram os rumores.

- Onde se inspiraram para criar estes temas?

- Este disco inspirou-se nas digressões e na nossa evolução enquanto banda a tocar ao vivo. Os temas baseiam-se nesta união. No último álbum existia uma fragmentação, de uma altura em que não criávamos um drama quando estávamos a gravar. Este é diferente, mais sólido.

- Sentem alguma evolução desde o início da banda, em 2005?

- Este trabalho tem uma maior concentração. Em termos de letras, está um pouco mais excêntrico e focado. Musicalmente é tocado de uma forma aperfeiçoada. Penso que agora sim, tocamos como uma verdadeira banda, com mais energia.

- De entre as vossas músicas, qual a sua preferida?

- Essa é uma boa pergunta... No novo álbum penso que prefiro 'Flashover'. Quando terminámos de o gravar pensei instantaneamente que tínhamos acertado, que era este tema que queríamos que as pessoas ouvissem em primeiro lugar. Conseguiu capturar a energia e o espírito que sentíamos naquele momento. É um dos nossos temas mais antigos. Há elementos nesta música que nos têm envolvido desde há muito tempo e ter conseguido terminar a sua gravação deixou-nos muito felizes.

- Já estiveram várias vezes no nosso País. Como descrevem os momentos vividos em Portugal?

- Sempre tivemos uma boa recepção por parte dos fãs portugueses. As multidões sempre foram muito acolhedoras para connosco. Quem assistiu aos nossos concertos mostrou-se sempre amigável, muito animado, plateias eufóricas. Por isso vamos sempre muito excitados para as actuações em Portugal.

- E que expectativas têm para o concerto no MusicBox, em Lisboa?

- Espero que seja uma loucura. Que o concerto seja completamente selvagem. Não sei bem o que esperar. É daquelas coisas que depende da plateia, se as pessoas estão animadas. Se a multidão estiver disposta a algo selvagem nós alimentamos essa escolha. Mas prefiro não ir com uma determinada expectativa antes de começar a tocar porque quando se leva algo previamente definido as previsões podem sair erradas.

- Os Klaxons já são ídolos de milhares de pessoas em todo o Mundo. Mas quem são os ídolos dos Klaxons? Quais as bandas que vos inspiraram a criar o vosso próprio grupo?

- Uma das bandas que mais respeito e que adoro ver ao vivo são os Sonic Youth. Eles continuam a produzir novos álbuns muito bons. A primeira vez que os ouvi pensei que nunca tinha escutado nada assim. Os seus álbuns foram realmente uma inspiração. Mas ao mesmo tempo também gosto dos Shellac, dos Big Black e outras bandas em que foi membro o Steve Albini. Ouvir estas bandas pela primeira vez fizeram-me sentir vontade de 'destruir' a guitarra.

- Sente que a banda está a atravessar um bom momento?

- Estamos a viver um momento extraordinário. Já começámos falar na possibilidade de um terceiro disco e dentro de pouco tempo deveremos iniciar a gravação de maquetes. Além disso, os concertos da digressão do novo álbum estão a ser bem recebidos em toda a parte.

- Então já existem planos para um novo trabalho?

- Sim, as conversas sobre essa possibilidade têm corrido muito bem. Estamos muito entusiasmados com a ideia.

- E já há alguma letra ou música mais definida?

- Não, ainda não. Apenas pequenas partes: alguns sons, pequenos excertos para temas e algumas ideias. Ainda não temos muito, por enquanto.

- Têm alguma surpresa preparada para o concerto de amanhã?

- Não. É o mesmo espectáculo que temos apresentado nos últimos tempos. Talvez uma música nova. Temos andado a ensaiar alguns temas, durante os testes de som, que ainda não tivemos tempo para apresentar. Talvez desta vez apareça algum tema novo...

- Quando saem em digressão têm por hábito comprar álbuns de bandas dos países por que passam?

- Estaria a mentir se dissesse que sim. Não temos tempo suficiente para sair e andar pela cidade a ver discos de bandas locais. O dia não tem horas suficientes para podermos fazer isso...

- Os Dusk at the Mansion estarão a cargo da primeira parte do vosso concerto. Já conhecem esta banda portuguesa?

-Não, ainda não os ouvi a tocar. Acho que não conheço nenhuma banda portuguesa.

- Então será uma surpresa para vocês?

- Sim. Será óptimo. Nós gostamos muito de assistir às actuações de outras bandas onde quer que vamos. É muito divertido ver e ouvir os grupos tocarem e no final adquirir os seus álbuns. Vemos sempre as actuações das bandas que tocam connosco. Portanto, estaremos muito animados.

- Aquando do lançamento do vosso primeiro álbum, 'Myths of the Near Future', em 2007, James Righton, teclista da banda, disse ao CM que a vossa música se devia muito à paixão pelo que fazem. O sentimento mantém-se?

- Claro que sim. Não há razão para fazer música se não se sente paixão pelo que se faz todos os dias. Isso é algo que se irá manter sempre.

- E quais são os vossos planos para o futuro?

- Lançar um novo disco, iniciar uma nova digressão, lançar outro álbum, outra digressão... Continuar a criar novos temas. É isso que faz a maior parte das bandas.

- Num programa de rádio australiano os Klaxons tocaram uma versão acústica do tema 'Bad Romance', de Lady Gaga. Por decidiram tocar esse tema? E qual a vossa opinião sobre a cantora?

- Escolhemos esse tema porque realmente gostamos muito dele. Quando fazemos 'covers' é porque gostamos mesmo dessa música. Gosto muito da Lady Gaga. Acho que ela é fantástica. Estou ansioso para ouvir o seu próximo álbum.

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