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Correio da Manhã

Cultura
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QUEREMOS REGRESSAR A PORTUGAL EM 2004

Ao fim de 30 anos, os AC/DC trocaram de editora e como que 'renasceram'. Palavra do vocalista Brian Johnson que, em entrevista ao CM confessa a sua paixão por Portugal. Enquanto não se concretiza o regresso, o grupo prepara já um novo álbum
2 de Outubro de 2003 às 00:00
 Brian Johnson guarda boas memórias da passagem por Lisboa
Brian Johnson guarda boas memórias da passagem por Lisboa FOTO: d.r.
Correio da Manhã - Quando já ninguém esperava os AC/DC trocaram a Atlantic onde se encontravam desde o início, pela Epic. Como se sentem agora? Mais motivados?
Brian Johnson - É isso mesmo. Acho que é como um renascimento. É maravilhoso. Tem sido como respirar de novo o ar puro. E depois eles estão a fazer um belo trabalho, reeditando todos os nossos álbuns a preços acessíveis. No fundo devolveram-nos ao modo como as coisas eram. Creio que estamos mais frescos de novo, sentimos isso, e tenho a certeza de que quando entrarmos em estúdio para gravar o próximo álbum será fantástico.
- A propósito. Têm alguma ideia de quando poderá estar pronto?
- Para já não. Começámos os ensaios e daqui por um mês já posso dizer qualquer coisa. Podia dizer-te que daqui a dois meses estaria pronto, mas não sei, porque é sempre difícil quando se trabalha num novo disco. Creio que no início do próximo ano.
- Apesar de não terem disco novo, este ano tem sido bastante preenchido, certo? Foram inscritos no Rock & Roll Hall of Fame, tocaram com os Stones....
- Foi uma boa mudança. Éramos para começar a trabalhar no novo álbum mais cedo, mas depois os Stones convidaram-nos para tocar com eles na Alemanha e foi espantoso. Quanto ao Rock & Roll Hall of Fame, vale pelos fãs. É a eles que se deve a inscrição. A mais ninguém.
- É verdade que está a escrever um musical?
- É um trabalho que tenho vindo a desenvolver. Tenho alguns escritos e seria óptimo se se concretizasse. De momento tenho apenas umas ideias gerais. Têm escrito que vai ter um ballet, mas não vai haver ballet nenhum (risos).
- Vai ser uma Ópera Rock?
- Não, é uma comédia, com algumas canções, que estão prontas, e estou a trabalhar noutras coisas, mas como disse é um trabalho em progresso. É apenas para me divertir. Quanto ao actor, creio que poderá vir a ser o Malcom McDowell, de 'Laranja Mecânica'.
- De volta aos AC/DC. Depois do álbum vem a digressão. Portugal está no mapa?
- Temos de sair em digressão no próximo ano, senão morremos. Quanto a Portugal...adoro. Lembro-me muito bem do concerto e do tempo que aí passei. De Sintra, da pequena loja de vinho do Porto - adoro Porto branco -, do pão, dos bolos. Foi das melhores coisas que já comi. Absolutamente maravilhoso... e a senhora insistia: 'quer mais um?' E eu...'Ok, só mais um, porque senão ainda morro (risos). Foram duas das melhores horas da minha vida.
- O regresso poderá acontecer no Rock In Rio-Lisboa, que vamos ter aqui em Maio-Junho de 2004?
- Bom, não sei de nada ainda, mas seria óptimo. O que sei é que temos de tocar de novo em Portugal. Passámos tempos maravilhosos aí e temos de regressar. Queremos voltar já para o ano, acreditem. Pessoalmente, ainda gostava de visitar o Algarve mas acho que aquilo está cheio de ingleses, certo? (risos). Mas sabes o que eu queria mesmo? Era conduzir no Autódromo do Estoril. É o meu 'hobby'. Adoro carros, velocidade, Fórmula 1, etc, e já ganhei em Daytona. Foi lindo, o champanhe, os beijos nas tipas com as mamas grandes...
PERFIL
Brian Johnson nasceu em Newcastle (Inglaterra) a 5 de Outubro de 1947. Antes de ingressar nos AC/DC, em 1980, para substituir Bon Scott, formou os USA e os Geordie, com os quais conheceu relativo êxito. Reza a lenda que o próprio Scott viu os Geordie e ficou siderado com a voz de Johnson. Daí o convite para substituir o malogrado vocalista, situação que agradou também aos fãs. O primeiro álbum com o grupo foi "Back In Black" ('80), um dos mais populares discos de hard rock. Com Johnson à frente, os AC/DC têm tido mais sucesso do que com Bon Scott.
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