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Correio da Manhã

Cultura

Rap na escola, iô!

Ontem não foi um dia como os outros na Escola Secundária de Santo André, no Barreiro. É que ali, a festa de encerramento do ano lectivo esteve a cargo de uma estrela do rap nacional muito admirada pelos alunos: Boss AC que, entre rimas e ritmos, aproveitou a deixa para alertar os jovens para os problemas sociais e políticos.
8 de Junho de 2005 às 00:00
Os alunos da escola Secundária de Santo André deram largas à sua euforia durante a actuação de Boss AC
Os alunos da escola Secundária de Santo André deram largas à sua euforia durante a actuação de Boss AC FOTO: Jorge Paula
Dos bancos corridos da sala polivalente – onde decorreu o espectáculo de cerca de uma hora – foram improvisadas bancadas e os matraquilhos literalmente postos de lado, abrindo espaço para a plateia. Não era propriamente um Coliseu dos Recreios mas, ainda assim, miúdos e graúdos (professores, auxiliares e banda) empenharam-se em fazer um concerto ‘à séria’. Como tal, não faltaram os clichés habituais: braços no ar, palmas no compasso acertado, meninas de decote arrojado na primeira fila, canções entoadas em coro e, no final, o tradicional pedido de encore: “só mais uma!”, berraram os jovens. Satisfeita a última exigência do eufórico público, Boss AC mostrou não ter escapado impune à euforia geral.
Numa sala de professores transformada em camarim por algumas horas, com os alunos a enfiarem os braços pelas estreitas janelas na tentativa de obter um autógrafo, o ‘rapper’ da Margem Sul confessou-se “feliz” com o resultado da iniciativa. “Estive a tocar para o meu público, para miúdos de 15, 16, 17 anos que se identificam plenamente com a minha música e a minha mensagem”, disse.
Habituado a fazer ‘workshops’ em escolas e a debater temas como a droga e a delinquência com os mais jovens, Boss AC garante que os miúdos de hoje “são diferentes”. “São muito mais maduros, para o bem e para o mal. É um sinal dos tempos.”
OPINIÕES
ROMOVILDO, 20 ANOS, ESTUDANTES
Para Romovildo, um dos estudantes, o concerto só lhe trouxe alegrias: “Boss AC é muito porreiro. Sou um grande fã da música dele, mas não gosto só de rap. Também ouço kizomba. Além disso, teve outra vantagem: esta tarde não houve aulas”, afirmou, defendendo a organização de “mais concertos” na escola.
FEDRA, 18 ANOS, ESTUDANTE
Prestes a concluir o 12.º ano e já com vista na entrada na faculdade num curso de Gestão, a jovem Fedra confessou que não podia ter fechado o ciclo de vida no secundário de “melhor maneira”: “Quando soubemos que o Boss AC vinha tocar para nós, foi uma euforia muito grande. Não podia ter sido melhor”.
HUGO JESUS, 18 ANOS, EX-ALUNO
Quando eu andava nesta escola não faziam concertos. Foi preciso eu sair...”, desabafou Hugo Jesus, que deixou Santo André o ano passado para trabalhar na construção civil. Ainda assim, o espectáculo serviu de pretexto para Hugo voltar aos ‘bancos da escola’.
ALZIRA MENDES, PROFESSORA
“A ideia de encerrar o ano com um concerto partiu dos alunos que, quase por unanimidade, escolheram o Boss AC. É uma iniciativa excelente porque permite motivá-los para a actividades escolares”, explicou ao CM a presidente do Conselho Executivo, Alzira Mendes.
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