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Ray Charles polémico nos Grammy

A polémica está instalada na Academia norte-americana que entrega os prémios Grammy (os Óscares da música). A causa é ‘Ray Charles Sings, Basie Swings’, álbum que junta a voz do falecido Ray Charles e a actual Orquestra de Count Basie.

23 de outubro de 2006 às 00:00

A questão não se prende obviamente com a qualidade do registo mas com o facto de voz e instrumentos não terem sido gravados na mesma altura – os registos de Charles datam dos anos 70 e foram recentemente descobertos, enquanto o som da ‘big band’ que ainda leva o nome do também falecido líder é actual.

Lançado pela Concord Records e pela Starbuck Corporation, o disco rapidamente chegou ao 1.º lugar do ‘top’ de jazz da revista ‘Billboard’ e consta dos boletins de voto enviados esta semana aos cerca de onze mil membros da Academia, que anunciará os nomeados para a 49.ª edição em Dezembro.

Não sendo “nem velho nem novo”, como refere Diana Theriot, vice-presidente da Academia, o disco apenas pode concorrer nas categorias de produção, som, arranjos e álbum do ano, mas não nas ligadas à voz... onde reside precisamente o busílis: as gravações inéditas são consideradas das melhores do mestre da soul, mas as regras não permitem que estejam a concurso. “Quando a Academia foi criada ninguém imaginava que isto (juntar gravações separadas por anos) fosse possível”, explica Phil Ramone, presidente da instituição.

Esta não é, todavia, a primeira vez que acontecem parcerias póstumas. Em 1991, Natalie Cole cantou com o pai, Nat King Cole, o tema ‘Unforgettable’, no álbum do mesmo nome que vendeu cinco milhões de cópias e ganhou vários Grammy (as regras foram ignoradas porque Cole cantava apenas num tema). Um ano antes, John Lennon cantou ‘Free As A Bird’ com Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr.

Ray Charles Robinson – a quem Frank Sinatra chamava “o único verdadeiro génio da indústria” – nasceu a 23 de Setembro de 1930 (Albany, Georgia) e faleceu a 10 de Junho de 2004. Cantor e compositor, tocava piano e saxofone e era director de orquestra. Cego desde os sete anos, foi pioneiro na música soul e moldou o som do R & B. ‘Georgia On My Mind’ é apenas um dos seus muitos êxitos.

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