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Correio da Manhã

Cultura
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Recordar Eça

O hipotético – e muitíssimo comovente – encontro entre Eça de Queiroz e a mãe ‘verdadeira’, em Vila do Conde, assinala o clímax da peça ‘Queiroz – O mistério da estrada da vida’, que Jorge Guimarães escreveu e Carlos Avilez acaba de estrear no Teatro Mirita Casimiro, no Monte Estoril.
5 de Novembro de 2006 às 00:00
A peça foi escrita em 2002, inspirada num programa televisivo do Professor José Hermano Saraiva. Quando o historiador disse, na RTP 2, que a questão da paternidade de Eça de Queiroz estava longe de ser linear e aventou a hipótese de que o grande escritor, registado como “filho de mãe incógnita”, seria fruto de uma relação do juiz Queiroz com uma senhora de Vila do Conde – e não com D. Carolina Augusta, com quem acabaria por casar – Jorge Guimarães pulou na cadeira.
“Tive a sensação de me estar a ser confirmada uma intuição que tinha desde há muito: a de que Eça de Queiroz, que passou a vida a escrever sobre situações de incesto, teria fortes preocupações nesse capítulo”, explicou ao CM.
E continuou. “Repare-se que D. Carolina Augusta só deu o seu nome a Eça de Queiroz quando este precisou de se casar, ou seja, aos 41 anos. Ora, se fosse seu filho, mesmo que nascido antes do casamento, não teria esperado tanto tempo...”
Claro que a tese de Hermano Saraiva deu azo a uma acesa polémica entre o historiador e um descendente de Eça e alimentou várias crónicas de opinião nos jornais. Mas Jorge Guimarães não teme represálias.
A sua peça – que nos mostra um Eça de 35 anos a gozar do sucesso de ‘O Crime do Padre Amaro’ e prestes a escrever ‘A Tragédia da Rua das Flores’ – põe ainda em cena outras duas grandes figuras das letras portuguesas da Geração de 70: Antero de Quental e Ramalho Ortigão. Em palco, os três entretêm-se a esgrimir argumentos filosófico-artísticos que nos deleitam enquanto espectadores.
Mas Jorge Guimarães avisa: “As palavras são minhas e a única crítica que me poderia fazer pensar seria uma má apreciação dos conceitos filosóficos que lhes pus na boca.”
‘Queiroz...’, para maiores de 12 anos, pode ser visto de quarta a sábado às 21h30 e domingos às 17h00.
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