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Correio da Manhã

Cultura
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Reggae chama de longe

O apelo do reggae fez-se ouvir para lá da fronteira. Com sandálias nos pés e cabedal em volta dos pulsos e pescoço, jovens hippies fizeram muitos quilómetros para ouvirem e dançarem os ritmos jamaicanos no Super Bock Surf Fest, junto à Fortaleza de Sagres, festival que começou ontem e encerra hoje.
13 de Agosto de 2010 às 00:30
Emilio Pestuzzo (na foto) trouxe um falcão para ver as actuações do dia
Emilio Pestuzzo (na foto) trouxe um falcão para ver as actuações do dia FOTO: Miguel Veterano Júnior

Emilio Pestuzzo, tatuador com 29 anos, veio de Copenhaga (Dinamarca) com o falcão ‘Chikitin’, de três meses. "Ouvi falar que há aqui reggae bom e vim. Não tenho dinheiro para entrar, mas fico aqui fora a ouvir e a dançar." Tal como muitos outros, seguiu a rota dos festivais mais a Sul – Músicas do Mundo (Sines) e Sudoeste (Zambujeira) – para se despedir do Verão na ponta mais ocidental da Europa.

Aitor Martinez, de 24 anos, fez 14 horas de carro desde Leioa (região espanhola da Biscaia) com um amigo. Passaram pelo Sudoeste e não entraram, mas no Surf Fest vão para o recinto. "Gostamos de reggae", sublinha.

Diogo Rebelo, um lisboeta de 20 anos, também vai de festival em festival. "Sai ‘bué’ caro. Já foi mais de 200 euros por pessoa. Mas é uma forma de gozar as férias." Passou com amigos por Sines e pela Zambujeira e chegou a Sagres para ver alguns dos seus artistas favoritos, como SOJA, Alborosie e Anthony B, que rechearam o cartaz da primeira noite, aberta por Mikkel Solnado e também com David Fonseca a emprestar um tom diferente.

Aos 27 anos, Fátima Rodrigues, de São Martinho do Porto, é uma veterana, sempre na sua carrinha ruçada e conquistando os dias com venda de peças de artesanato. Já andou pela Europa, em festivais tão grandes como o Sziget (Budapeste), mas agora só viajou para o Surf Fest. "Vimos naquela, para curtir… Como vais pôr isso em palavras?", pergunta. Não é preciso. Em Sagres o que conta é o espírito.

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