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Correio da Manhã

Cultura

REINVENTAR A MORTE EM NOME DA VIDA

Poeta e ficcionista, argumentista e cineasta, ‘A Trilogia de Nova Iorque’ valeu-lhe a celebridade e a comparação com Tom Wolfe e Raymond Chandler. Falamos de Paul Auster para falar de ‘Inventar a Solidão’, o mais recente dos seus romances, publicado entre nós e à semelhança dos outros, sob a chancela da Asa.
24 de Junho de 2004 às 00:00
Romance biográfico, longe de ser o único, é o mais próximo do acerto de contas com a vida e isto acontece a partir do luto pela morte do pai.
“Um homem para quem a vida só é tolerável se ele puder permanecer na superfície de si mesmo, sentir-se-á naturalmente satisfeito se puder oferecer aos outros não mais do que essa superfície”, escreve, na ressaca da notícia recebida sem a tranquilidade desculpabilizante da lágrima.
“O que me perturbava era outra coisa, algo que não tinha nada a ver com a morte ou a a minha reacção perante a morte: a percepção de que o meu pai não deixara nenhum vestígio”.
São neuróticas as relações de família: a intimidade é inimiga da privacidade, a proximidade amiga do desconhecido... ‘Inventar a Solidão’ é a história de duas solidões e de como à invenção de uma (a do pai), responde a reinvenção de outra (a do filho): “Se quando era vivo, eu andava sempre à procura dele, sempre a tentar encontrar o pai que não estava lá, agora que está morto, sinto-me ainda como se tivesse de continuar à sua procura. A morte não mudou coisa nenhuma. A única diferença é que o meu tempo se esgotou”. A história não acaba aqui!
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