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Correio da Manhã

Cultura
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(Re)lembrando Jorge Amado em Lisboa

A Casa dos Bicos celebrou esta sexta-feira o centenário do nascimento do escritor baiano Jorge Amado. A iniciativa foi organizada pela Fundação Jorge Amado, Fundação José Saramago e contou com a colaboração da editora Companhia das Letras.
10 de Agosto de 2012 às 22:06
Cartas, canções e excertos da literatura de Jorge Amado iam sendo cantados e contados por Vera Barbosa, ao som do violão de João Maló
Cartas, canções e excertos da literatura de Jorge Amado iam sendo cantados e contados por Vera Barbosa, ao som do violão de João Maló FOTO: Sérgio Lemos / Correio da Manhã

A actriz brasileira Vera Barbosa confessou ter sido a autora da ideia: “Pensei, ‘vou propor que façamos uma festa em memória de Jorge Amado’. Foi há menos de um mês”, disse.

Com a ideia em mente, a actriz dirigiu-se à Fundação José Saramago, onde falou com Pilar del Río, viúva de José Saramago. Devido à escassez de tempo para concretizar a ideia, era preciso pôr mãos à obra. Vera Barbosa ficou, então, encarregada de organizar o guião, onde incluiu “tudo o que é baiano”, disse. Para tal, inspirou-se em artistas de renome da música brasileira, nomeadamente Gilberto Gil, Maria Bethânia e Caetano Veloso.

A partir das 18h00, a entrada da Casa dos Bicos começava a encher ao ritmo da exibição de capoeira do grupo Nação Arte Pura.

Cerca de meia hora depois, a Fundação José Saramago abriu portas ao público ansioso, que se dirigiu ao auditório para (re)lembrar Jorge Amado.

“Vamos lembrar Jorge Amado”, disse Vera Barbosa. E a festa começou.

Cartas, música e excertos da literatura de Jorge Amado iam sendo cantados e contados pela actriz brasileira, ao som do violão de João Maló. 


O público ia acompanhando Vera Barbosa nas músicas 'É doce morrer no mar' - composto por Dorival Caymmi e Jorge Amado, em 1941, e baseado na obra 'Mar Morto' - e 'Oração a Mãe Minininha' – escrita por Dorival Caymmi, em 1972.

A leitura sentida de Vera Barbosa em 'Gabriela, Cravo e Canela' (1958) também fez sorrir a plateia.

“O mais mágico é ver as pessoas interagirem”, confessou Vera Barbosa, depois de a cerimónia acabar.

Com esta celebração, Pilar del Río não só recordou Jorge Amado, como também o seu companheiro, José Saramago. “Foi uma relação que começou nos anos 80 de grande fraternidade”, lembrou.

Na memória, fica-lhe a Festa de Iemanjá, onde esteve com José Saramago, Jorge Amado, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil. “Foi inesquecível o passeio que fizemos pelas ruas de Salvador."

A celebração dos cem anos de Jorge Amado não fica por aqui. Até 20 de Setembro, haverá ainda uma exposição de livros, fotografias, correspondência, áudio e vídeo de Jorge Amado.

“Não nasci para famoso nem para ilustre, não me meço com tais medidas, nunca me senti escritor importante, grande homem: apenas escritor e homem” (Jorge Amado). Palmas.

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