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Correio da Manhã

Cultura
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Ritmos africanos em Monsanto

De 21 a 24 de Julho, Monsanto enche-se com as cores e ritmos africanos. Inserido no ciclo de concertos de Monsanto, uma produção da EGEAC no âmbito do Lisboa em Festa 2005, o África Festival leva ao Anfiteatro Keil do Amaral alguns dos melhores artistas deste continente.
15 de Julho de 2005 às 19:44
Ray Lema & Chico César actuam dia 23
Ray Lema & Chico César actuam dia 23 FOTO: d.r.
Durante quatro noites, ali actuarão nomes tão conhecidos como Manecas Costa, Tito Paris, Lura ou Ali Farka Touré, numa verdadeira celebração da música de raíz africana.
Para além dos concertos, o festival conta ainda com exposições e encontros, que decorrerão noutros pontos da cidade. Os espectáculos têm entrada livre e contam com duas actuações por noite às 22h00 e 23h30.
A primeira noite do festival traz-nos música da Guiné-Bissau e da Bélgica, com Manecas Costa e Zap Mama. O músico guineense, radicado em Lisboa, é o primeiro a subir ao palco, acompanhado por ‘Guogui’ Embalo (baixo e voz), Fernando Carlos (bateria e voz), Domingos Sá (percussão e voz), Ademir ‘Mimito Lopes’ (teclas), Maria Sobral e Vânia Oliveira (voz).
Às 23h30, é a vez das Zap Mama, que trazem na bagagem uma sonoridade composta por uma mistura ecléctica entre o Soul, o Gospel e os ritmos afro-cubanos. Oriunda da Bélgica, a banda é formada por Marie Daulne (voz), Ida Nielsen (guitarra), Chantal Willie (baixo e voz), Jean Nsengiyumva (baixo), Luc Weytjens (teclas), Yassine Daulne (DJ, rap), Patrick Dorcean (bateria, loops), Fredy de Mauser Massamba (voz, percussão, rap)Tanja Daense e Zulema Hechavarria Blanco (coro).
No dia 22, “viajamos” até ao Mali e Moçambique com Ali Farka Touré & Toumani Diabaté e Mabulu, respectivamente. A abertura da noite cabe ao projecto Mabulu, que junta o Rap e o Hip Hop Moçambicano à Marrabenta, ritmo tradicional deste país. Criado em 1998, este grupo, composto por Dilon Djindi (voz), António Marcos (guitarra e voz), Zoco (guitarra), Jorgito (bateria e voz), Edu (baixo) Chiquito (voz/rap) e-Loide (voz), conta já com três álbuns editados e foi considerado “melhor revelação” do ano de 2002 pela BBC Rádio 3 World Music Awards. Este espectáculo insere-se na sexta tournée europeia da banda e conta com a participação do cantor ragga Mr. Arssen.
Segue-se Ali Farka Touré que nos traz um convidado especial, o Toumani Diabaté. Ali Farka Touré, um dos mais emblemáticos nomes da música africana e da world music. Este maliano, nascido em 1939 na vila de Kanau, a noroeste do Mali, apaixonou-se pela guitarra quando assistiu a uma exibição do Ballet Nacional da Guiné com Keita Fodeba.
Desde esse momento, jurou ser guitarrista. As suas primeiras gravações datam dos finais dos anos 50, mas é na década de 60 que a sua carreira musical realmente começa, ao juntar-se à Troupe 117, um dos muitos grupos oficiais estabelecidos pelo governo para representar as diferentes regiões do Mali. Desde então, tem tido um percurso musical extremamente rico, abordando distintos géneros musicais e com várias digressões internacionais.
Vencedor de um Grammy em 1993 com “Talking Timbuktu” (1993), Ali Farka Touré vem agora a Portugal partilhar o som generoso e característico do Blues, como só a sua guitarra e voz sabem soar.
A terceira noite do África Festival (dia 23) está a cargo de Waldemar Bastos e Ray Lema & Chico César. Durante muitos anos residente em Lisboa, Waldemar Bastos é senhor de uma voz única, que acompanha com o dedilhar mágico da sua guitarra. A Monsanto traz “Renascence”, último trabalho de originais, que revela um Waldemar Bastos como nunca antes se ouviu. Sobre o disco, diz que lá “derramou a sua alma”. É esta que ecoará no Anfiteatro Keil do Amaral, no dia 23 de Julho.
Depois é a vez de Ray Lema & Chico César, numa junção entre as sonoridades africana e brasileira. Ray Lema é natural da República Democrática do Congo, e é, reconhecidamente, um dos mais importantes nomes da música africana. Chico César nasceu em Paraíba, no Brasil e é conhecido tanto como músico, como compositor, tendo composto para artistas como Maria Bethânia, Elba Ramalho, Daniela Mercury e Gal Costa, entre outros.
Quando se conheceram, Ray ficou emocionado por constatar que, no Brasil, existia alguém que tocava, exactamente, como os músicos de uma região específica do seu Congo natal. Em Dezembro de 2003, surge a ideia de actuarem, pela primeira vez, num espectáculo conjunto, que teve lugar no Rio de Janeiro.
A partir daí, passaram a colaborar frequentemente e é o resultado dessa união musical que pode ser ouvido no cenário único do Parque Florestal de Monsanto. Para além de Ray Lema (voz, piano) e Chico César (voz, guitarra), em palco estarão ainda Louis Bilong (baixo), Simone Soul (percussão, bateria), Catherine Renoir (percussão, voz) e Isabelle Gonzales (coros).
O último dia do festival, 24 de Julho, é dedicado a Cabo-Verde, representado por Lura e Tito Paris. Filha de cabo-verdianos que emigraram para Portugal, Lura é considerada uma das mais promissoras vozes do panorama actual da música cabo-verdiana.
Nascida em Lisboa, foi envolvendo-se progressivamente na cultura do país dos seus pais, absorvendo o espírito e a alma de Cabo Verde. Os seus primeiros passos como cantora ocorrem em 1996, com a gravação do primeiro álbum, “Nha Vida”. Em 2002, grava “In Love”, cuja maioria dos temas foram de sua autoria.
Senhora de uma voz suave e, simultaneamente poderosa, Lura oscila entre os ritmos das mornas de Cabo-Verde, o Rythm n’Blues, o Pop e o Jazz, sempre com igual desenvoltura e graciosidade. A prova é o seu mais recente trabalho, “Di Korpo ku alma”, que a cantora apresentará em Monsanto.
Tito Paris apresenta-se em formato acústico, com Orquestra de Câmara, prometendo um grande final para esta “incursão” no continente africano. Para o músico, este espectáculo é a concretização do “sonho da sua vida profissional”.
O repertório é constituído por canções do seu último CD “Guilhermina”, os grandes êxitos da sua carreira, bem como canções que fazem parte do património colectivo cabo-verdiano. Conta com a presença de uma orquestra de câmara composta por sete violinos, três violas, dois violoncelos e um contrabaixo aos quais se juntaram cinco músicos cabo-verdianos que o acompanham há muitos anos e um naipe de quatro metais, num total de 22 músicos em palco.
ACESSO
Durante as quatro noites do África Festival, a circulação no Parque Florestal de Monsanto é assegurada por um Mini-Bus, que fará o transporte dentro do Parque, entre as 9h30 e as 19h00, de 3ª a 6ª feira, e entre as 9h30 e as 19h30 todos os sábados, domingos e feriados. O circuito encontra-se assinalado na via de rodagem em toda a sua extensão, através do traço contínuo verde, e passa pelos seguintes locais:
Espaço Monsanto - Parque Recreativo da Serafina - Parque da Pedra - Cruz das Oliveiras - Parque Recreativo do Alvito - Estacionamento do Penedo - Montes Claros - Pina Manique - Espaço Monsanto.
Para chegar até ao Parque Florestal de Monsanto, poderá utilizar as carreiras 11, 14, 23, 14, 29, 43, 48 e 70 da Carris ou os Eléctricos 15 e 18.
CONCERTOS
21 de Julho: 22h00, Manecas Costa (Palco Bohemia, Anfiteatro Keil do Amaral); 23h30, Zap Mama (Palco Bohemia, Anfiteatro Keil do Amaral)
22 de Julho: 22h00; Mabulu (Palco Bohemia, Anfiteatro Keil do Amaral); 23h30, Ali Farka Touré (Palco Bohemia, Anfiteatro Keil do Amaral)
23 de Julho: 22h00; Waldemar Bastos (Palco Bohemia, Anfiteatro Keil do Amaral) ; 23h30, Ray Lema & Chico César (Palco Bohemia, Anfiteatro Keil do Amaral)
24 de Julho: 22h00, Lura (Palco Bohemia, Anfiteatro Keil do Amaral); 23h30, Tito Paris acústico com Orquestra de Câmara (Palco Bohemia, Anfiteatro Keil do Amaral)
ACTIVIDADES PARALELAS
Para além dos concertos a decorrer no Anfiteatro Keil do Amaral, em Monsanto, no âmbito do festival, realizar-se-ão ainda três exposições, em diferentes pontos da cidade. De 20 a 30 de Julho, a livraria Mabooki, no nº 8 da R. João Pereira da Rosa (junto ao conservatório de música, no Bairro Alto), acolhe os trabalhos da artista plástica cabo-verdiana, Luísa Queirós.
A mostra intitula-se “Histórias das Ilhas” e pode ser vista de 2ª a sábado, entre as 13h e as 20h00. De 18 a 31 de Agosto, na Casa da Morna, está patente a exposição do pintor moçambicano, Francisco Xavier Menezes. A exposição pode ser visitada de 2ª a sábado, entre as 20h e as 02h, todos os sábados .
A Plataforma Revólver acolhe “Travel”, uma exposição colectiva de oito artistas contemporâneos, que têm como ponto comum o facto de estarem intimamente ligados a África e a Portugal.
Os trabalhos abrangem as áreas da pintura, escultura, tapeçaria e vídeo e estão patentes ao público de 3ª a sábado, entre as 14 e as 19h 30, de 23 de Setembro a 5 de Novembro.
Relacionados com estas exposições, ocorrerão ainda dois encontros no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz: um de escritores, no dia 20 de Julho, no pelas 17h00 e outro de artistas plásticos, no dia 24 de Setembro, às 16h00.
EXPOSIÇÕES
20 a 30 de Julho: MABOOKI - Exposição de Luisa Queirós (R. João Pereira da Rosa, nº 8 (Lisboa,Bº Alto, junto ao Conservatório), 2ª a Sábado das 13h00 às 20h00
20 a 30 de Agosto: CASA DA MORNA - Exposição de Francisco Xavier Menezes (R. Rodrigues Faria nº 21, Lisboa, Alcântara), 2ª a 6ª das 12h00 às 15h00 e das 20h00 às 02h00 / Sábados das 20h00 às 02h00
23 de Setembro a 5 de Novembro: PLATAFORMA REVÓLVER - Travel - Exposição colectiva de Ana Silva, Gustavo Sumpta, Luisa Low Pew, Paulo Kussy, Sílvia Moreira, Osvaldo da Fonseca, Francisco Vidal e Verónica Leite de Castro (Rua da Boavista, 84 - 3º andar, Lisboa), 3ª a Sábado das 14h - 19h30
ENCONTROS
20 Julho: 17H00 - Teatro S. Luiz – Jardim de Inverno - Encontro de Escritores (Rua António Maria Cardoso, 54, Lisboa, Chiado)
24 Setembro: 16H00 - Teatro S. Luiz – Jardim de Inverno - Encontro de Artistas Plásticos (Rua António Maria Cardoso, 54, Lisboa, Chiado)
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