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Correio da Manhã

Cultura
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'ROCK DE CLITÓRIS'

Se os Skunk Anansie foram uma das bandas estrangeiras que mais vezes actuaram em Portugal – oito em quatro anos – invariavelmente para um público fanático e rendido ao talento e carisma da sua líder, Skin, a solo a coisa continua a prometer.
18 de Novembro de 2003 às 00:00
Apesar de uma menor intensidade rítmica, variações musicais menos frequentes e uma postura mais virada para si mesma e menos para o Mundo, a cantora, que assume a sua homossexualidade e o rompimento com a namorada de longos anos, continua a atrair multidões, o que aliás ficou comprovado na sua mais recente actuação aquando do último Festival do Sudoeste.
Por isso, a aposta da nova FNAC do GaiaShopping em oferecer um espectáculo com a cantora britânica, tem tudo para ser um sucesso.
SÍNDROMA DA PERDA
Ao alternar canções autobiográficas que falam da dor da separação, da perda e da partida, com ‘hits’ de grande pujança e atitude, Skin vai apresentar um espectáculo que equilibra garra e intimismo. Enquanto antes essa alternância residia em cada canção isolada, agora a balança pende ora para um lado ora para o outro, deixando no espectador a noção exacta do que esta mulher é capaz: de rir e de chorar, de sofrer e de gritar, de amar e de odiar... em simultâneo.
O som continua a incorporar várias influências, que vão do agro-rock inspirado nos blues até ao mais cru soul, passando por reminiscências punk e baladas, mas Skin prefere apelidar a sua música de “clit rock”, ou seja, rock de clitóris, com componentes satíricas e manifestos feministas em letras que desafiam a ordem estabelecida. Todavia, é um facto que o seu primeiro álbum a solo, ‘Fleshwounds’, onde descreve o amor como sendo uma doença mental, ainda não atingiu o mesmo patamar dos precedentes com os Skunk Anansie.
Skin – cujo nome verdadeiro é Deborah Anne Dyer – está agora mais negra, mais preocupada com ela e só depois com os outros. Mas continua poderosa, a saber mexer com o íntimo do público, a jogar com corações completamente rendidos à sua força. As mulheres apaixonam-se, os homens estranham. Até que apetece perguntar: o que é que esta mulher tem que eu não tenho?
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