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Correio da Manhã

Cultura
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Rock n’ roll sóbrio para gente sentada

O galês John Cale regressou quarta-feira a palcos nacionais, no CCB, Lisboa, e, para surpresa geral, exibiu um fulgor rock invulgar.
7 de Outubro de 2005 às 00:00
Na verdade, aos 63 anos, o mais natural seria que o músico surgisse mais propenso a uma viagem por sonoridades mais aveludadas que, de resto, abundam na sua vasta discografia.
Não foi isso, porém, que Cale levou ao CCB, uma sala meio cheia (ou vazia?) que acabou por surpreender o músico, que preferia enfrentar a multidão de pé. Não foi o caso e ao longo de quase duas horas John Cale destilou rock n’ roll ... para gente sentada.
À frente de uma (excelente) formação típica do rock (guitarra, baixo e bateria), Cale entrou ‘a matar’ e, de guitarra eléctrica em riste, foi impondo ritmo forte, rápido e cortante, com temas como ‘Helen of Troy’, ‘Dancing Undercover’ e ‘Turn the Lights On’, esta última do novo álbum ‘Black Acetate’.
Em jeito de revisitação de carreira, Cale passou, é certo, por momentos mais delicados e experimentais, onde pôde mostrar talentos no sintetizador. São desta fase temas como ‘Gideon’s Bible’, ‘Magritte’ e ‘Look Horizon’.
Sempre de forma sóbria e parco em palavras para a audiência, Cale voltou depois a soltar o rock e até ao final poucos foram os abrandamentos. ‘Dirty Ass Rock’ n’ Rol’, ‘Gun’ (experimentalismo sónico), ‘Perfect’ e, já em ‘encore’, ‘Pablo Picasso’ foram simplesmente portentosos.
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