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Correio da Manhã

Cultura
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ROCKORDAR É VIVER

Em plena ‘silly season’ convidativa ao relaxe, eis chegada ao mercado (edição EMI-VC) aquela que é a primeira compilação dedicada ao “rock português”, o fenómeno que abalou os já distantes anos de 80.
21 de Julho de 2003 às 00:00
Centrado no período que medeia entre 1980 e 1984, “O Melhor do Rock Português” é, em primeiro lugar, um revelador retrato (feito de canções) do clima de entusiasmo que se vivia à data.
O disco integra 16 artistas – do “pai” Rui Veloso aos Xutos e Pontapés, passando pelos desaparecidos Roquivários ou Trabalhadores do Comércio – mas muitos outros poderiam também aqui figurar (TNT, CTT....), tal foi a dimensão da explosão. Sentida, de resto, a vários níveis, desde a rádio – cúmplice e veículo da euforia – à indústria discográfica, então particularmente vocacionada para a edição de singles, o formato sob o qual muitas das propostas aqui contidas irromperam no cenário musical.
À distância de 20 anos, “O Melhor do Rock Português” tem também o condão de nos devolver o pulsar de uma época singular. Mesmo quem não viveu esse tempo, não conseguirá, decerto, escutar canções como “Chiclete” (Taxi), “Patchouly” (Grupo de Baile) ou “Propaganda” (Street Kids) sem que se aperceba da “ingenuidade” que animava os seus autores, ou sentir, até, a fé de toda uma geração que acreditava ser possível fundir o rock com a língua portuguesa. Como que contrariando os seus “antepassados” de 70, tempo em que uma boa quota parte das propostas privilegiava o inglês.
Àparte o carácter nostálgico que naturalmente carrega, “O Melhor do Rock Português” é, acima de tudo, um documento vivo, o testemunho de um tempo em que o sonho comandava a vida.
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