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Correio da Manhã

Cultura
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Romance do toiro na paixão da Festa

Não há nada mais parecido contigo que o mar... Vai, vem, rebenta, desliza, faz espuma e faz vibrar!” – são palavras e pensamento que um dia eu escrevi. Pensando em amor, pensando no toiro... Nesse toiro que é a vida que enfrentamos e às vezes nos mata, antes de nós, a quem tanto amamos!
28 de Junho de 2006 às 00:00
O toiro (e o novilho) é um manancial de sensações. Quando investe, bravo e nobre, vem, vai, vem, vai... rebentando o sentimento de o parar, templar e mandar, qual onda que, depois, deslize no olhar e no sorriso com que o toureiro encara o público, com êxtase de gestos, vibração maior de quem sublima, em arte, a própria vida diante da morte...
Foi assim já muitas vezes e tudo isso encerra o próprio sortilégio da Festa de Toiros. Em Badajoz, no passado fim-de-semana voltou a ser assim. Primeiro, com dois novilhos portugueses de Ortigão Costa; depois com dois espanhóis de Jandilla e com um de Zalduendo. Cúmplices embriagados de paixão e raça, bravura e nobreza, Homens e Toiros (como tão bem cantou e filmou Francisco Saageld) escreveram páginas de antologia.
BADAJOZ À VISTA
Da velha à nova Praça de Toiros de Badajoz, anos e anos de recordações e caminhos, quer se vá a Madrid, Sevilha, Olivença, Cáceres, Mérida e outras. Sempre que Badajoz nos surge no horizonte, sabido é que estamos mais próximos daquela verdade diferente. Onde se luta por um lugar ao Sol com dificuldades acrescidas, sonhando os jovens que lhes aconteça, por destino certo, momentos como os dos novilheiros Sancho e Posada (com os de Ortigão), ou ‘El Juli’ e Talavante (com os de Jandilla), ou Ponce (com um toiro de Zalduendo).
O romance acontece! Moura (pai) e Moura (filho) bem o sabem, no esplendor taurino dos seus triunfos, paixões de públicos de pé, lenços na mão, alegrias que fazem bem a quem triunfa e a quem consagra batendo palmas. E até o jovem Eduardo Gallo, que, anteontem, um ano depois de estar à morte, naquela mesma arena de Badajoz, soube abraçar os méritos da Praça brindando-lhe o seu primeiro toiro! Também recordando a vida e o mar, porque fôra e voltara...
- Vítor Ribeiro faz amanhã, no Campo Pequeno, ‘confirmação de alternativa’, cerimónia que assinala a sua primeira actuação em Lisboa, depois da sua alternativa de cavaleiro. Uma prática para ser tradição na primeira praça do País.
- Ortigão Costa foi ganadaria de sucesso na Feira de Badajoz (Espanha). Três novilhos, quatro orelhas e dois deles a serem aclamados e com pedido de indulto (para não serem estouqueados e voltarem ao campo). Excelente!
- J.L. Gonçalves e J. Salgueiro foram os triunfadores premiados nas Sanjoaninas (Angra do Heroísmo, Açores), após lides a pé e a cavalo, respectivamente, que puseram em delírio os exigentes aficionados da Ilha Terceira e não só.
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