Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
1

Rostropovich morre aos 80 em Moscovo

Mstislav Rostropovich, por muitos considerado o maior violoncelista de todos os tempos, morreu ontem no Hospital de Moscovo onde estava internado há dias, aos 80 anos. Doente há vários meses, o maestro fora condecorado a 27 de Março, dia do seu aniversário, pelo presidente Vladimir Putin com a Ordem da Pátria, Primeira Classe.
28 de Abril de 2007 às 00:00
Rostropovich morre aos 80 em Moscovo
Rostropovich morre aos 80 em Moscovo FOTO: Ullstein, Reuters
Putin foi aliás uma das primeiras personalidades a reagirem publicamente à morte de Rostropovich e destacou-o como “um violoncelista brilhante e um maestro dotado” e um “firme defensor dos direitos humanos”.
Com efeito, Rostropovich era também conhecido pela oposição ao regime soviético, que o expulsou do país nos anos 70 e o tentou privar da cidadania. Isso mesmo lembrou outro famoso dissidente e seu grande amigo, o escritor Alexandre Soljenitsin. Rostropovich, declarou, “glorificou a cultura russa em todo o Mundo” e a sua morte constitui “um duro golpe”. “Adeus, querido amigo”, acrescentou o autor de ‘Arquipélago de Gulag’ a quem Rostropovich apoiou quando as autoridades comunistas moveram contra ele uma feroz perseguição.
Para o violinista russo Iuri Bhacmet, “Rostropovich era o motor e o coração da vida musical de todo o Mundo”, enquanto no entender do maestro Volf Gorelik, seu amigo pessoal, era “um grande músico e um homem fantástico”.
Em menos de uma semana a Rússia perdeu duas figuras de referência da sua História, depois da morte, na passada segunda-feira, do antigo presidente da república, Boris Ieltsin, amigo de Rostropovich, cuja carreira se prolongou por mais de 60 anos, com actuações em todo o Mundo, incluindo Portugal.
Curiosamente, nos anos 60 o violoncelista encomendou uma peça musical ao português Fernando Lopes-Graça, que lhe foi entregue em 1965 e se chamava ‘Concerto de Câmara para Violoncelo, Obrigado’.
Em declarações à agência Lusa, os violoncelistas portugueses Irene Lima e Paulo Gaio Lima e o compositor e violetista Alexandre Delgado consideraram Rostropovich uma “figura marcante” do século XX, um daqueles músicos que “estão para lá daquilo que tocam”. “Quando acontece uma morte com o esta sentimos que há um ciclo que se fecha”, disse Irene Lima.
Rostropovich será sepultado, em data a anunciar, no cemitério do Convento de Novodevitch, onde repousam Ieltsin, Chostakovich, Prokofiev, Tchekov, Gogol e Bulgakov.
PERFIL
Mstislav Leopoldovich Rostropovich nasceu em 1927 em Bakú, no actual Azerbaijão, e estudou no Conservatório de Moscovo com Chostakovich. Foi expulso da ex-URSS em 1974 e destituído da nacionalidade quatro anos depois. Regressou ao país em 1988 e recuperou a nacionalidade em 1990.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)