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Correio da Manhã

Cultura
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RUSSO VENCE EM VENEZA

“O Regresso” (”Vozvraschenie”), primeira obra do realizador russo Andrey Zvyagintsev que retrata a reunião de um pai com os filhos após dez anos de separação, venceu ontem o Leão de Ouro, prémio máximo do 60.º Festival Internacional de Cinema de Veneza.
7 de Setembro de 2003 às 00:00
Ao galardão concorriam 20 longas-metragens , entre as quais “Um Filme Falado”, de Manoel de Oliveira, com Leonor Silveira, John Malkovich e Catherine Deneuve, que não obteve qualquer prémio.
“O Regresso” – que arrebatou ainda o prémio Dino de Laurentiis para uma primeira obra – conta a história de dois rapazes cuja vida muda para sempre a partir do momento em que encetam uma viagem para uma zona de lagos onde vão pescar com o pai que não vêem há uma década.
Fora da tela, a tragédia abateu-se sobre a produção poucos meses após o final da rodagem, quando um dos jovens protagonistas morreu afogado precisamente na mesma região onde a acção do filme decorre.
PALMARÉS
Igualmente na categoria de melhor filme, o júri entregou o seu Grande Prémio ao filme libanês “O Papagaio”, de Randa Chahal Sabbag, que conta uma história de amor e separação ao longo da fronteira israelo-libanesa.
“Zatoichi”, a história de um samurai cego que salva uma aldeia de um grupo de “gangsters” sanguinários deu ao cineasta Takeshi Kitano o Leão de Prata para a melhor realização. Na categoria de curta-metragem o Leão de Ouro coube a “The Oil”, uma produção do Azerbeijão realizada por Murad Ibragimbekov.
No capítulo dos actores (taça Volpi), o norte-americano Sean Penn viu premiado o seu desempenho de um professor com uma doença mortal em “21 Grams”, de Alejandro Gonzalez Iñárritu, em que contracena com Benicio Del Toro, Naomi Watts, Charlotte Gainsbourg. Nas actrizes, o galardão foi para Katja Riemann pela sua interpretação em “Rosenstrasse”, de Margarethe von Trota.
O prémio Marcello Marcello para o actor/actriz revelação distinguiu Najat Bessalem em “Raja”, realizado por Jacques Doillon.
Finalmente, o veterano cineasta italiano Marco Bellocchio foi distinguido pela sua “excepcional contribuição individual” para o cinema com o filme “Buongiorno, Notte” (”Bom Dia, Noite”), que passa ao cinema o rapto e posterior assassinato do então primeiro-ministro italiano Aldo Moro, ocorrido em 1978.
À margem da competição, na secção Contracorrente, o festival de Veneza entregou o Prémio São Marcos para o melhor filme a “Vodka Lemon”, de Hiner Saleem, o de melhor realizador a Michael Schorr por “Schultze Gets The Blues”, e os de melhor actor e actriz a Asano Tadanobu, por “Last Life in the Universe”, e Scarlett Johansson, por “Lost in Translation”, respectivamente.
Presidido pelo veterano cineasta italiano Mario Monicelli, o júri deste 60.º Festival de Veneza era composto pelo actor Stefano Accorsi, pelo argumentista francês Pierre Jolivet, pela realizadora chinesa Ann Hui, pelo produtor norte-americamo Monty Montgomery, pelo director de fotografia Michael Ballhaus (”Gangs de Nova Iorque”) e pela actriz espanhola Assumpta Serna, uma das musas do espanhol Pedro Almodóvar.
OLIVEIRA ESTREIA PEÇA DE TEATRO
Como se não bastasse a presença de “Um Filme Falado” em Veneza para demonstrar a sua boa forma, Manoel de Oliveira prepara-se para estrear, em solo nacional, a peça “Mário ou eu Próprio o Outro”, de José Régio. O espectáculo, protagonizado pela eterna Leonor Silveira e ainda por Diogo Dória e Rogério Vieira, fez a sua estreia mundial no passado mês de Julho em Roma e chega a Portugal para se apresentar no âmbito do Festival Imaginarius, em Santa Maria da Feira, sob a égide do festival Sete Sóis Sete Luas. “Mário ou eu Próprio o Outro” fará uma apresentação única amanhã, no CineTeatro António Lamoso.
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