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Correio da Manhã

Cultura
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S. Carlos tem novo director

Christoph Dammann substitui Paolo Pinamonti à frente do São Carlos e o Millennium bcp, mecenas exclusivo do teatro e apoiante explícito do director cessante, mantém subsídio até 2008, data do termo do protocolo.
14 de Março de 2007 às 00:00
Mário Veira de Carvalho, secretário de Estado da Cultura
Mário Veira de Carvalho, secretário de Estado da Cultura FOTO: Natália Ferraz
“Não há excelência sem pessoas de craveira que garantam essa excelência mas também estamos convencidos de que não há apenas uma única pessoa capaz de garantir esse nível de excelência”, justificou ontem ao CM Paulo Fidalgo, director de comunicação do Millennium bcp.
Esta reacção vem validar o optimismo de Mário Vieira de Carvalho, secretário de Estado da Cultura, que, horas antes, aquando do anúncio da mudança, sustentava: “O mecenato não só não irá acabar como sairá reforçado. O pressuposto de excelência não está em causa. Em discussão não estão pessoas mas projectos.”
No âmbito da criação da OPART, organismo que funde o Teatro Nacional de São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado, Pinamonti e o Governo desentenderam-se, tendo o Millennium bcp, na pessoa do presidente, Paulo Teixeira Pinto, insinuado a possibilidade de retirar o subsídio se o teatro retirasse o director.
“Esta fusão vai contra os interesses de ambas as instituições e das artes que servem, bem como do público”, escreveu Pinamonti numa carta à ministra da Cultura, cujo excerto Vieira de Carvalho apresentou a justificar a recusa do convite para a renovação do contrato. Contudo, no mesmo dia, ontem, Pinamonti desmentiu à Lusa ter sido formalmente convidado e alegou o “aproveitamento incorrecto de uma frase” da carta enviada à tutela.
Dammann, que chega amanhã a Lisboa, toma posse em Setembro. Até lá, Paolo Pinamonti mantém o cargo e assegura funções.
NOVO DIRECTOR EM REVISTA
Christoph Dammann tem 43 anos, é natural de Lubeck, na Alemanha, e está de malas feitas para Lisboa, onde se fixará em definitivo em 2009, concluído o contrato como director-geral da Ópera dos Teatros de Colónia. O seu currículo de 15 anos de experiência como director de teatros de ópera começa na década de 80, como colaborador do Teatro e da Ópera de Hamburgo. Director executivo e artístico de óperas e festivais como o Festival de Música de Steiermark ou a Ópera de Lubeck, foi ainda director artístico e administrador do Teatro de Mecklenburg. Com formação em Pedagogia Musical, Música Sacra e Canto pela Escola Superior de Música e Teatro de Hamburgo, conseguiu a mais alta classificação em Canto. Doutorado em Ciências da Cultura, tem-se dedicado também ao ensino e à investigação. É autor do livro ‘Ipermestra – a História da Primeira Ópera de Lubeck’ (1996).
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