SABIA QUE OS BEATLES ESTIVERAM EM PORTUGAL?

Mais do que biográfico, ‘Beatles em Portugal’ é um livro de factos, curiosidades e muitas histórias. Da autoria dos jornalistas Luís Pinheiro de Almeida e Teresa Lage, a obra chega às lojas até ao final deste mês.
23.11.02
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Correio da Manhã- Entre milhares de obras sobre os Beatles, o que traz de novo este livro em português?

Teresa Lage - É essencialmente um livro de curiosidades. Há muitas histórias engraçadas dos Beatles relacionadas com o nosso País que a maior parte das pessoas não conhece.

- Como por exemplo?

TL - É sabido que os Beatles nunca tocaram cá, mas nós descobrimos passagens deles pelo Aeroporto de Lisboa e coisas curiosas que apareceram nos jornais. Publicamos, por exemplo, uma aguarela da Vieira da Silva e um texto que foi escrito em azulejo para o John Lennon pelo Mário Cesarinny. Revelamos curiosidades engraçadas como o facto do consulado de Portugal em Nova Iorque ser no mesmo andar onde o Lennon morou. São poucos os que sabem que no dia que foi assassinado, o porteiro que estava de serviço era um português, o sr. António e era açoriano. No Central Park há um espaço de homenagem ao John Lennon, que tem um desenho feito em basalto e calcário, chamado "Imagine" feito por dois calceteiros da Câmara de Lisboa.

Luís Pinheiro de Almeida - Este livro não tem nada de biográfico. Só contamos histórias dos Beatles relacionadas com Portugal, como o facto do George Harrison ser um apaixonado por cavaquinhos e ter cá estado, uma vez, para um grande prémio de Portugal de Fórmula 1. Ele era mesmo um grande amigo do Domingos Piedade, que conta que ele adorava vinho português. Damos a conhecer parte de uma colecção de cromos dos Beatles que se publicou em Portugal e de que só há cinco completas no Mundo.

- Existe uma cultura dos Beatles em Portugal?

LPA - Não. Cá nunca houve um clube de fãs e o primeiro disco dos Beatles a chegar a n.o1 do top foi agora a colectânea. Em Portugal existe muito prurido em dizer que se gosta dos Beatles.

TL- Portugal deve ser o País do Mundo que menos os conhece.

- Então este livro é mesmo coisa de fã... uma carolice?!

LPA - É uma coisa que tínhamos em mente há muito. Há factos que as pessoas não sabem, como o "Yesterday" ter sido escrito em Portugal. Neste livro recuperamos também uma entrevista feita pelo Joaquim Letria e pelo Batista Bastos ao Paul McCartney, em 1965, em Albufeira, e que é muito engraçada. Há também muita gente que não sabe que a discografia portuguesa de EP's dos Beatles é única e nós publicamos as capas que foram feitas em Portugal.

- Há ideia de publicar este livro fora de Portugal?

TL - Se este livro for traduzido para inglês é capaz de vender mais lá fora do que cá.

LPA - Mesmo os brasileiros são ultra-fanáticos. Eles sabem tudo, por exemplo, que o "Hard Days Night" na versão americana tem mais um segundo que a versão inglesa. No Brasil acredito que este livro é capaz de vender muito, mesmo via on-line. Neste momento até estamos a pensar fazer outro livro só sobre "Beatles na Imprensa Portuguesa". Estou a lembrar-me duma história sobre quatro galinhas com cabelo a que chamaram os "Beatles de Almada". E tenho muitos desenhos e cartoons daquilo que se publicava cá em Portugal.

FACTOS E CURIOSIDADES

No Central Park há um espaço de homenagem ao John Lennon, que tem um desenho feito em basalto e calcário, chamado "Imagine". Foi feito por dois calceteiros da Câmara Municipal de Lisboa.

A discografia portuguesa de EP's dos Beatles é única no Mundo.

No dia em que John Lennon foi assassinado (8 de Dezembro de 1980), o porteiro que estava de serviço era um português, o sr. António, açoriano.

O tema "Yesterday" foi escrito em Portugal. Foi o próprio Paul McCartney quem o disse num livro intitulado “Yesterday and Today”.

PERFIS

Formada em Línguas e Literaturas Modernas, Teresa Lage é, actualmente, jornalista da RFM, onde desempenha funções de coordenadora de produção. Diz que quando ouviu Beatles pela primeira vez tinha nove anos, já eles tinham terminado.

Luís Pinheiro de Almeida, por seu lado, trabalha no Parque das Nações, tendo sido sub-director do Netparque. Do seu currículo jornalístico contam-se passagens pelas agências ANP, ANOP e Lusa. Fã dos Beatles desde 1963 confessa: “Na faculdade, numa altura em que eram mal vistos por razões políticas, eu fazia sessões culturais sobre eles e a música pop”.

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