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Correio da Manhã

Cultura
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SANTA CLARA ABRE AO PÚBLICO

Inacessível desde há quase quatro séculos, o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, abre ao público terça-feira, de forma condicionada.
15 de Maio de 2004 às 00:00
O templo de estilo gótico Mendicante onde se instalaram as clarissas está a ser alvo, desde 1995, de uma complexa intervenção de restauro, dificultada pela constante inundação da parte mais baixa do edifício, que obrigou os técnicos e projectarem “soluções criativas”.
A abertura oficial ao público será feita segunda-feira, na presença do primeiro-ministro, Durão Barroso, e do ministro da Cultura, Pedro Roseta, segundo uma nota da Delegação Regional de Coimbra do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR).
Tendo em conta que o local é ainda uma espécie de “estaleiro em obras”, como refere o próprio coordenador do projecto, Artur Corte- Real, as visitas são condicionadas e obedecem a algumas restrições, sendo obrigatório o uso de capacete de protecção.
Com início regular na terça-feira, as visitas são por marcação prévia e em grupos com um máximo de 15 pessoas, orientadas por um guia no percurso fixo. Entre terça e sexta-feira, funcionam entre as 16h00 e as 20h00 e aos fins-de-semana entre as 14h00 e as 19h00.
CONSERVAÇÃO NOTÁVEL
O templo começou a ser construído em 1286, como Mosteiro das Donas (extinto em 1311), e, por desejo da Rainha Santa Isabel, em 1314, foi fundado com a designação que ainda hoje tem.
Concluído na margem do rio Mondego e sagrado em 1330, acabou por ficar marcado pelas cheias, que levaram D. João IV a ordenar a construção de um novo templo, numa zona mais alta da cidade, para onde as religiosas se transferiram em 1677.
A água que conduziu o Mosteiro ao esquecimento e estado de ruína acabou por ser também a salvação de todo um património – o nível inferior da igreja e a totalidade do Claustro Maior – ‘congelado’ durante quase quatro séculos.
Ao longo dos trabalhos têm sido detectados importantes vestígios arqueológicos, nomeadamente um conjunto de estruturas arqui-tectónicas num estado de conservação considerado notável.
No final de 2003, os técnicos conseguiram manter o edifício seco, com a construção de uma “cortina de contenção periférica”, acompanhada por um sistema de drenagem e bombagem capaz de escoar a água que pode afluir à zona das escavações, o que permitirá a “requalificação da ruína”, disse à Lusa o coordenador.
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