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Correio da Manhã

Cultura
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Saudoso cair de pano

No cair do pano do maior festival de música urbano, quando, ontem, no Parque Tejo, em Lisboa, eram quase 02h00 e Marilyn Manson cantou os últimos versos de ‘Beautiful People’ antes do ‘encore’ final, os rockómanos já mostravam saudades de um festival de três dias polvilhado de momentos de altíssima qualidade musical.
31 de Maio de 2005 às 00:00
Com efeito, o 11.º Festival Super Bock Super Rock (SBSR) vai ficar na memória como dos melhores não só a nível de bandas, como também de organização. Este ano, as condições do recinto revelaram-se muito boas até para os poucos que não fizeram da música a prioridade. Não faltou diversão extra com carrinhos de choque e parque radical.
Os destaques deste SBSR (que juntou mais de 80 mil pessoas) vão direitinhos para os System Of A Down – que iniciaram em Portugal a digressão europeia de apresentação do novo álbum ‘Mezmerize’ –, para a revelação The Hives e para o lendário Iggy Pop. Sem esquecer, claro, o excêntrico Marilyn Manson, os New Order e os Incubus.
DESPEDIDA EM BELEZA
Depois de o recinto se vestir de preto, – ainda a meio gás, devido à final da Taça de Portugal –, para receber os metaleiros ansiosos por assistir a Mastodon e Slayer, quando eram 20h00 o negro deu lugar à potência das altas vibrações do rock’n’roll de Iggy Pop & The Stooges. A ‘Iguana’ não desiludiu e, aos primeiros acordes, o público respondeu com palmas e gritos de incitamento.
Depois, bem, foi a loucura com o lendário artista a instalar a anarquia total e a incitar o público a subir ao palco. Os seguranças começaram a travar a iniciativa e Iggy Pop lançou o insulto: “Fucking nazis”. É verdade que faltaram os míticos ‘Passenger’ e ‘Lust For Life’, mas, no final, ninguém deu por mal empregue o seu tempo.
Seguiram-se os Audioslave, que fizeram suspirar sobretudo as fãs. Com uma actuação com altos e baixos, Chris Cornell surpreendeu ao cantar temas de Rage Against The Machine – de forma sofrível, diga--se – e de Soundgarden, que fizeram reviver muitas emoções aos que, na década de 90, traziam na ponta da língua refrões como ‘Killing In The Name Of’.
Mas os corações já pulsavam por Marilyn Manson que, com um concerto muito profissional, excitou mais pela parte cénica, – entrou em palco de candeeiro na mão... –, do que pela qualidade musical. Com um enquadramento quase carnavalesco, Manson lá foi desfiando temas de ‘Antichrist Superstar’ e ‘Mechanical Animals’, em que obteve maior ‘feedback’. Pelo meio, no palco português, destaque para os conimbricenses Wray Gunn (os que mais público juntaram) e Bunnyranch que, com muita garra, confirmaram as boas impressões existentes.
O adeus foi doloroso mas para o ano há mais!
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