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Correio da Manhã

Cultura
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Sempre tudo mais do mesmo

Antes de um ‘Lago dos Cisnes’ assinado por Mehmet Balkan, director artístico da Companhia Nacional de Bailado (CNB), este juntou, num mesmo programa, um ‘Pássaro de Fogo’, do falecido Uwe Scholz, e a desenterrada ‘Sagração da Primavera’, de Nijinski.
22 de Outubro de 2006 às 00:00
Para quem sabe como Martha Graham, Carlos Trincheiras e Pina Bausch trabalharam a ‘Sagração’ (e Maurice Béjart ambas as partituras), o mínimo que se pode dizer é que a CNB anda com um século de atraso. Para além de possuir em reportório uma (boa) versão ‘portuguesa’ da ‘Sagração’, a CNB continua a deitar dinheiro à rua desprezando obras e artistas nacionais. Designadamente os fantásticos figurinos do brilhante Nuno Côrte-Real para o ‘Pássaro’, que estão no sótão a criar bolor.
Uma história imperceptível com um visual espacial futurista aliada a uma coreografia arcaica e académica mostraram o bailarino convidado, Carlos Acosta, no meio de monstros azuis contemplando um desfile de donzelas de camisa de dormir branca. Tomislav Petranovic surgiu como uma ‘sombra’ branca de um Acosta de vermelho que mais pareceu debitar uma coreografia feita para uma bailarina com sapatilhas de pontas.
O mais curioso na ‘Sagração’, para além do colorido dos fatos e de uma boa interpretação do conjunto, é o facto de a música se manter grandiosa e empolgante – apesar de enlatada –, mas os passos e saltos, miudinhos e sincopados, ‘reinventados’ por Millicent Hodson, terem perdido todo o impacto de outrora.
Mais um programa murcho em cena no Teatro Camões, em Lisboa, até 5 de Novembro.
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