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Correio da Manhã

Cultura
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Sequela sem magia

Dez anos depois de Jim Carrey ter feito as delícias de miúdos e graúdos com as suas mil caras em ‘A Máscara’ (de Chuck Russel), eis que um novo filme tenta copiar a fórmula. Mas, como na maior parte das sequelas, fica muito aquém do original.
14 de Julho de 2005 às 00:00
A máscara vai cair nas mãos de um bebé e transformá-lo
A máscara vai cair nas mãos de um bebé e transformá-lo FOTO: dr
Com realização de Lawrence Guterman, ‘A Máscara 2’ defrauda, de facto, as expectativas de todos aqueles que viram as peripécias hilariantes do original. E não é apenas a ausência de Jim Carrey que se faz sentir. É, sobretudo, a magia.
O argumento desta sequela é simples e, à partida, poderia até soltar umas gargalhadas. No entanto, tudo se torna demasiado previsível. Desta feita, os estranhos e extraordinários poderes da máscara de Loki (Alan Cumming) ‘caem’ nas mãos ingénuas de um bebé que, claro, não sabe o que tem em mãos.
Tim Avery, o seu pai, (Jamie Kennedy) é um brilhante cartoonista que, depois de ultrapassar o medo da paternidade, exaspera de preocupação ao aperceber-se que o filho possui dotes paranormais, revelando uma destreza e habilidade fora do comum. O que ele não sabe é que o bebé possui os poderes da máscara de Loki, um objecto que possui a inacreditável funcionalidade de transformar aquele que a usa.
Como se não bastasse já esta bizarra descoberta, ‘a coisa’ complica-se, quando o temível Loki surge em cena disposto a recuperar a sua máscara, não hesitando sequer em servir-se dos mais horríveis truques. Como seria de esperar, ele encontrará forma de levar o pai Avery a um ataque de nervos, o bebé, claro, estará permanentemente em risco perante tantas e ‘bizarras’ ameaças e, no meio de tamanha azáfama, não escapa sequer o pequeno e frenético cãozinho da família. Que acabará por protagonizar uma das mais delirantes cenas do filme, ao virar a casa de pernas para o ar no decurso de uma inusitada batalha com o bebé pelo controlo da máscara.
Dito de outra forma, um bebé e um cachorro são, afinal, os ‘heróis’ de uma história que quase envergonha os criadores do filme original. Os amantes de ‘A Máscara’ original reclamam da falta de magia e encanto numa comédia cujas novidades não vão além dos divertidos efeitos visuais. E quase se consegue imaginar as caretas que Jim Carrey deve fazer ao ver a sequela de um filme que o confirmou como o maior dos comediantes norte-americanos. Se o objectivo é levar a ‘Máscara’ às novas gerações, mostrem-lhes antes o original.
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