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Correio da Manhã

Cultura
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Serão à fogueira com fé no futuro

Lá fora, a noite foi fria e chuvosa, mas no auditório da Culturgest, sexta-feira, Waldemar Bastos resgatou paisagens cálidas, o cheiro doce das pitangas e as vozes das kitandeiras, num concerto que aqueceu a alma dos angolanos de todas as cores.
15 de Janeiro de 2006 às 00:00
Waldemar Bastos levou ao palco da Culturgest o mais simplificado e despojado dos formatos
Waldemar Bastos levou ao palco da Culturgest o mais simplificado e despojado dos formatos FOTO: Natália Ferraz
O músico, que em 1999 venceu o prestigiado prémio da ‘American World Music’, começou por prometer um “serão à volta da fogueira”. Depois, de mansinho, num espectáculo acústico e simplificado, que apostou na dimensão do cruzamento das guitarras com as percussões, foi cumprindo.
Com a voz cheia e quente que lhe é característica, Waldemar Bastos nem sequer precisou de se esforçar muito para pôr a plateia, quase esgotada, a acompanhar cânticos dolentes como ‘Sofrimento’ ou ‘Muxima’, as pérolas de ‘Pretaluz’, o álbum produzido por Arto Lindsay e gravado para a Luaka Bop de David Byrne.
O pretexto para o reencontro era, porém, ‘Renascence’, o álbum recentemente editado que celebra a paz em Angola. A intenção foi assinalada com canções como ‘Dongo’ ou ‘Georgina’ e, a partir de então, a palavra de ordem foi ‘festejar’. Quando Waldemar Bastos encetou os primeiros acordes de ‘Kuribôta’, as ancas cederam ao apelo das percussões e as cadeiras deixaram de ter utilidade. O correr do pano, esse, foi tão original quanto simbólico: com toda a gente em pé, o cantor e a sua banda entoaram (e dançaram), em ‘play-back’, o hino da selecção de Angola, a fazer fé na vitória dos ‘palancas’ no Mundial.
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