Shaktí, em sânscrito, pode designar Mulher. No passado dia 8 de Março comemorou-se o Dia Nacional da Mulher. Como por várias vezes já o dissemos, o SwáSthya Yôga tem como uma das suas raízes o Tantra, que se caracteriza por ser matriarcal. Ou seja, a mulher é posta antes e acima de tudo, sendo a causa e a razão da criação. O artigo desta semana é dedicado a todas as mulheres nas suas mais variadas funções: mães, amantes, donas de casa, esposas, empregadas, executivas, etc.
O termo shaktí significa energia. Por extensão, designa a companheira tântrica, que pode ser esposa, amante ou amiga. Dependendo do uso na frase, pode também referir-se à kundaliní ou, ainda, à Mãe Divina.
No Tantra, aprendemos um conceito muito bonito, segundo o qual Shiva sem shaktí é shava. Isto é, “o homem sem a mulher é um cadáver”. Shiva é o arquétipo masculino, que deve ser catalisado pela shaktí, arquétipo feminino. Veja como é interessante: a mulher quando companheira, denomina-se shaktí, que significa literalmente energia. É aquela que energiza, que faz acontecer.
Sem a mulher, o homem não evolui na senda tântrica. Nem a mulher sem o homem. É preciso que tenhamos os dois pólos. Podemos fazer passar qualquer quantidade de electricidade por um fio e ainda assim a luz não se acenderá, a menos que haja um pólo positivo e outro negativo, um masculino e outro feminino. Assim é nas práticas tântricas.
O Tantra também possui um componente fortemente poético que contribui para tornar as pessoas mais sensíveis e aumenta o senso de respeito e de amor entre homem e mulher. Nesse sentido, um dos seus conceitos mais encantadores ensina que, para o homem, a mulher é a manifestação vivente da própria divindade e, como tal, ela deve ser reverenciada e amada. A recíproca é verdade, pois a mulher desenvolve um sentimento equivalente em relação ao homem.
A Reverência à Shaktí
A shaktí só receberá toda essa reverência do seu adorador, o shakta, se for merecedora desse ‘status’ que conquista por mérito próprio e um dos factores para tanto é a reciprocidade da adoração ao Shakta.
Outro requisito é que a mulher seja tântrica e não brahmácharya. Noutras palavras, que ela não seja machista. E a própria postura da mulher que, ao comportar-se como bibelô, Cinderela, etc., acaba por demolir o respeito do homem por ela.
Finalmente, a mulher tântrica deve ser competente ao actuar no Mundo. O shakta só poderá tratar como deusa a mulher que seja uma vencedora e não uma completa incapaz. É preciso que ela saiba ganhar dinheiro, tanto ou mais que ele. Que ela saiba conduzir o automóvel tão bem ou melhor que ele. Enfim, que não aja como uma alienada que precisa de ser constantemente ensinada, ajudada, amparada, pois se lhe faltar o braço forte do homem ela será capaz de cair... Assim o homem só consegue ser cavalheiro se a mulher agir como uma dama, ele só consegue ser tântrico se ela também o for.
O Procedimento da Mulher Tântrica
A mulher tântrica é mais sensual do que as mulheres comuns, por ser menos reprimida. Permiti-se usar roupas mais provocantes, olha com profundidade nos olhos dos homens e toca os seus amigos com uma liberdade que a dona de casa pós-feudal não tem.
No relacionamento conjugal ela não fica à espera que o homem a procure sempre que ele quiser. Afinal, ela não é um objecto seu. Tem vontade e desejo próprios. Ou num determinado momento simplesmente não. É preciso que o companheiro possa perceber a diferença. Se ela sistematicamente não o procurar, ou procurá-lo pouco, ele jamais saberá o quanto ela o deseja.
Os homens muito frequentemente têm a sensação de que não são desejados, pois as mulheres não manifestam os seus sentimentos com a mesma expansividade que eles. Por que tem que ser o homem a ir ter sempre com a mulher? Num baile é o cavalheiro que vai tirar a dama para dançar. Por que não pode a mulher convidar o homem? Certa vez, numa festa, uma desconhecida convidou-me para dançar. Senti-me tão lisonjeado que a sensação de acolhimento acariciou-me o ego durante meses.
Portanto, se a mulher tântrica desejar aproximar-se de um homem, não fique armada em princesa e lute. Contudo, a mesma educação, sensibilidade, delicadeza e senso de oportunidade que se exige do homem, também ela deverá exercer.
Vamos parar com a Hipocrisia!
Ocorre com frequência que as pessoas sejam muito tântricas na teoria. São capazes de escrever livros e dar conferências inflamadas sobre o tema. Mas na sua vida real, são um bando de brahmácharyas. Ser tântrico exige sinceridade, honestidade de propósitos, filosofia de vida. Uma pessoa não se obriga a ser tântrica. Se não for, assuma-se como patriarcal, repressora e não se violente para converter-se ao Tantra como se isso fosse uma espécie de religião à qual alguém pode ser doutrinado. O resultado seria desastroso.
O que mais se vê são casais que se dizem tântricos, mas vivem em constante ambiente de possessividade, cobrança e isolamento cultural em relação aos que são tântricos de verdade.
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