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Correio da Manhã

Cultura
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Show de... dança

Uma dúzia de rapazes da cidade de Niterói trouxe ao Centro Cultural de Belém, em Lisboa –no âmbito do Festival Alkantara, que decorre até ao próximo dia 18 – o vigor e a criatividade do Brasil carioca, mestiço, desinibido e ávido de sons e movimento.
14 de Junho de 2006 às 00:00
Os resquícios da ‘breakdance’ adquirem uma incrível virilidade
Os resquícios da ‘breakdance’ adquirem uma incrível virilidade FOTO: D.R.
Em ‘h2 2005’ Bruno Beltrão imprimiu um raro sentido de racionalidade a um estilo em que, normalmente, o virtuosismo desgarrado impera. O trabalho coreógrafo brasileiro encontra paralelo em alguns grupos gauleses que, há muito, descobriram o filão da ‘dança de rua’ transportada para os palcos e sacando o melhor do hip-hop para o universo da dança contemporânea.
A peça começa, em alta, com um trio que interpreta, por secções luminosas, o ‘Voo do Moscardo’ com uma estonteante energia. Seguem-se solos e intervenções de conjunto em que o movimento, algumas vezes sem qualquer acompanhamento musical, se remete para uma lentidão e depuração completamente inesperadas.
Por outras palavras, os resquícios da ‘breakdance’ adquirem não só uma incrível virilidade – na única cena ‘cómica’ do espectáculo todos os homens se abraçam e beijam na boca num objectivo manifesto de descomprometimento – como, sem a fortíssima batida da usual música, deixam ao espectador a possibilidade de ver o movimento muito para além de esquemas muito enraizados no hip-hop.
Mas no final o Grupo de Rua de Niterói explode numa estimulante competição em que os corpos, à vez ou em grupo, se contorcem nervosamente e se deslocam no espaço com uma velocidade de contornos, por vezes, animalescos.
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