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Correio da Manhã

Cultura
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Show de sexo gótico

Amor, sexo, traição, vingança e morte são os grandes temas do espectáculo que o Teatro da Luz, em Carnide, acaba de estrear e que assinala a reabertura daquele espaço depois de várias mudanças de gestão artística.
16 de Maio de 2006 às 00:00
O espectáculo deixa o espectador mergulhado num clima de esquizofrenia contagiante
O espectáculo deixa o espectador mergulhado num clima de esquizofrenia contagiante FOTO: Bruno Colaço
Dirigido agora por Alexandre Honrado, o teatro deixou, pelo menos aparentemente, de ter como programação preferencial espectáculos com vedetas da televisão, e arranca com ‘Muita Loucura por Nada’, um projecto de gente muito jovem, desconhecida do grande público, e que, a ter alguma classificação, só se pode chamar de Teatro Gótico.
Trata-se de uma espécie de ensaio sobre a loucura: de várias peças de Shakespeare foram retiradas cenas carregadas de paixão e erotismo e as palavras do Mestre foram colocadas na boca de uma personagem. Em palco, está Tom (José Lobato), um jovem que enlouqueceu a ler peças do dramaturgo isabelino e que repete as frases lidas, num desvario crescente.
Ao longo de todo o espectáculo – que dura cerca de uma hora e um quarto – o monólogo do protagonista, vestido de preto e envolto num pano vermelho-vivo, alterna habilmente com um excelente vídeo (assinado por Andrea Lavareda). E é no ecrã que se conta o outro lado da história de Tom: desde que desperta para um dia de pesadelo, às seis da manhã, até voltar a acordar, à mesma hora, verificando que, afinal, esteve a sonhar. Ou não?
Com interpretações empenhadas, sobretudo a do protagonista, e tendo como banda sonora a versão do tema ‘Sweet Dreams’ pelo rei do gótico, Marilyn Manson, o espectáculo deixa o espectador mergulhado num clima de esquizofrenia que nos contagia. Mesmo que as opções dramatúrgicas não sejam totalmente claras (a dramaturgia é assinada por José Lobato), ‘Muita Loucura’ agarra-nos pela execução, competente, de cada um dos intervenientes.
Um projecto que, tendo em conta a juventude dos executantes, raia o brilhantismo. Para ver às sextas e sábados, sempre às 22h00.
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