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Correio da Manhã

Cultura
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SÓ FALTOU A ORQUESTRA

Ron e Russel Mae confirmaram, na quarta-feira à noite, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, que os Sparks ainda têm condições para prosseguir uma carreira que já vai em mais de 32 anos sem cederem um mílimetro à música que vende.
28 de Março de 2003 às 00:00
No CCB, os irmãos Mael tocaram (!!!) da primeira à última nota o seu último álbum – “Lil’ Beethoven” – que a generalidade da crítica considera genial. E é mesmo. Mas só foi pena que o público português não tivesse direito a uma orquestra de suporte, daquelas com violinos, harpas, coro e tudo o resto.
A música “enlatada” foi mais do que muita, mas ninguém se importou. Zé Pedro, dos Xutos e Pontapés, frisou mesmo que as gravações “foram bem metidas” e que como os “Sparks não são uma banda de rock’n’roll não havia razões para ficar chocado com uma eventual aldrabice”. “As vozes, pelo menos, não são em ‘playback’”, acrescentou, embora algo descrente do que acabara de referir.
Após um intervalo de quase 20 minutos, a segunda parte do concerto já teve um pouco de rock e de roll, com “riffs” de guitava bem esgalhados do ex--Faith No More Eddie Venta, bem acompanhado pela bonita baterista Tammy Glover. Mas também houve uma “sessão” de sapateado – por Ron Mael – algum glam rock e umas pitadas de disco, ao vivo e em directo, ou seja, sem o recurso a gravadores. Foi um espécie de “best of”, em que faltaram alguns hinos como “Reinforcements” (1974).
Após mais de duas horas em palco a tocar aquilo que Russel Mael designou como art rock, os Sparks foram despedidos com uma sonora e longa salva de palmas e prometeram voltar a Portugal. “Só cá não viemos mais cedo, porque não nos convidaram”, observou Russel Mae.
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