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Correio da Manhã

Cultura
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SOMBRAS CHINESAS NO CCB

O grupo de teatro de sombras chinesas Luannan vai exibir uma das artes tradicionais mais antiga e rica da China entre 21 e 25 de Janeiro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, referiu à Lusa Jin Zhilin, responsável chinês da organização.
23 de Dezembro de 2003 às 00:00
O espectáculo, que retrata a China dos tempos imperiais, recheado de intrigas palacianas e cenas de luta, é representado por um dos melhores grupos chineses, a companhia de Luannan, de Hebei. “É um espectáculo muito rico visualmente”, garante Jin Zhilin, que escolheu o grupo e a peça para exibição em Portugal, numa iniciativa da Fundação Oriente (FO) em cooperação com a China International Cultural Agency.
Jin Zhilin, detentor de uma grande colecção de cerca de 20 mil peças do Teatro de Sombras da China, refere que “os melhores” espectáculos do grupo de Luannan são os de luta. “Eles fazem coisas que mais nenhum grupo faz”, frisa.
ESTREIA FORA DA CHINA
De acordo com a tradição milenar, as figuras coloridas de recorte imperial, aparecem atrás de uma grande tela transparente, em sala escura, animadas por um grupo de oito pessoas que movem os bonecos, tocam instrumentos tradicionais e cantam as falas das personagens.
O público português acompanhará a história com a ajuda de legendas, refere Jin Zhilin, professor reformado de 75 anos, e antigo responsável pelo Departamento de Artes Tradicionais da Academia Central de Belas Artes da China.
É a primeira vez que o grupo de Luannan actua no estrangeiro. A actuação no nosso País surgiu por uma série de coincidências, nomeadamente o facto de Jin manter contacto há vários anos com um sinólogo francês que doou uma colecção de peças de teatro de sombras de países asiáticos à FO. “Enquanto forma de diálogo cultural, propusemos a ida de um grupo de teatro de sombras a Portugal”, indica Jin, que tem também colaborado para a exibição de parte da colecção doada à FO em Pequim, numa data ainda por agendar.
Apesar de ser considerada a mais requintada das artes populares chinesas, o teatro de sombras vive dias difíceis, ameaçando tornar-se numa arte de museu. O número de grupos tradicionais diminuiu em dez vezes nas últimas duas décadas, desde que a China iniciou as políticas de reforma e abertura, em 1979. “Há 20 anos fiz um levantamento nacional sobre os grupos existentes e havia cerca de dois mil. Agora, existem apenas entre 200 a 250”, assinala Jin.
O cinema, a televisão e outras formas de entretenimento têm destronado o teatro de sombras entre as artes mais apreciadas, considerada a primeira forma de cinema. Como o interesse do público é cada vez menor, a mestria da arte já não é passada de pais para filhos e deixa de haver quem saiba fazer os bonecos e dar-lhes vida no palco, passando o teatro de sombras a servir sobretudo para enfeitar paredes dada a sua beleza estética.
Jin considera a tendência inevitável, mas critica o governo chinês por valorizar em demasia aspectos como o ensino do inglês e da informática nas escolas e colocar de lado a transmissão aos alunos de um conhecimento sobre as artes tradicionais chinesas, que não constam do currículo de ensino.
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