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Correio da Manhã

Cultura
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STONES PAGOS COM DINHEIRO PRIVADO

Nuno Freitas, vereador do pelouro do Desporto e Juventude da Câmara Municipal de Coimbra, confirmou ontem ao Correio da Manhã, que o "cachet" a pagar ao grupo rock The Rolling Stones (que o CM sabe ser de 1800 mil euros) caso estes actuem na inauguração do Estádio Municipal da cidade, provém totalmente de dinheiros privados: a empresa promotora, a Ritmos & Blues (R & B).
26 de Agosto de 2003 às 00:00
A polémica sobre a alegada utilização, pela Câmara de Coimbra, de dinheiros públicos no pagamento do concerto - ainda por confirmar -, surgiu numa notícia publicada pelo jornal "Expresso" no sábado. De acordo com aquele semanário, o promotor dos dois concertos já realizados pelos Stones em Portugal, em 1990 e 95, Ricardo Casimiro, da Tournée, teria enviado uma carta à autarquia questionando "a utilização de dinheiros públicos no pagamento de milhões de euros ao grupo", de "cachet".
Contactado pelo nosso jornal, o responsável pela Tournée, confirmou o envio da carta: "Mandei-a ao presidente da Câmara de Coimbra e não aos jornais, portanto, e com o devido respeito, não divulgo o conteúdo da mesma. Se outros órgãos de informação tiveram conhecimento do conteúdo não foi através de mim", declarou.
"Em nome da Câmara Municipal de Coimbra posso testemunhar que a ideia de que há dinheiros públicos é falsa", garantiu ao CM Nuno Freitas. "Neste caso não existem dinheiros públicos, mas existem para muitos espectáculos. Os festivais Dunas de São Jacinto, da Ilha do Ermal, de Vilar de Mouros, do Sudoeste têm dinheiros públicos envolvidos, alguns directamente das autarquias, porque têm a ver com a animação das populações".
Classificando a eventual actuação dos Stones em Coimbra como "um evento fantástico que se enquadra na programação de Coimbra - Capital Nacional da Cultura", Nuno Freitas adiantou que a autarquia teve o cuidado, "em face dos valores envolvidos", de assumir que não poderia, "como é normal nestes casos, comprar os direitos do espectáculo".
Assim, a edilidade propôs ao promotor - com o qual garante nunca ter feito qualquer outro contrato - a única contribuição "possível": a logística. "Vamos garantir a utilização da leitura da óptica das entradas, o ecrã gigante, a água, a electricidade, os primeiros socorros... A logística geral do estádio é oferecida, e mais nada", explicou o vereador.
Com a poupança da R & B, Coimbra também ganha, admite, "projecção nacional. Vamos estar ao lado de cidades como Madrid, Barcelona e Bilbau, por exemplo. E é bom ter cá o grupo nº 1 do Mundo", reiterou Nuno Freitas, adiantando que espera ter na cidade "cerca de 20 mil pessoas, os hotéis cheios" e começar a "rentabilizar um estádio que custou, isso sim a todos nós, milhões de contos. "Vamos fazer tudo com o máximo de transparência e lisura, convidando toda a gente".
A confirmação do concerto deverá ser feita ainda esta semana, logo que o "managment" da banda britânica aceite os patrocínios propostos pela R & B (Galp Energia e Soares da Costa, construtora do estádio, são os dois certos) e revelar qual a data livre para Portugal. Ontem, Nuno Braamcamp, da R & B, disse ao CM que só irá para a frente com patrocínios e se essa data coincidir com uma sexta, sábado ou domingo. "Não me parece que se torne rentável fazê-lo num dia de semana".
O ELIXIR DA JUVENTUDE
Depois de terem anulado a primeira de várias apresentações no estádio de Twickenham, em Inglaterra, marcada para sábado, devido a uma gripe que afectou o vocalista, Mick Jagger, os Rolling Stones reiniciaram domingo, no mesmo, local, a digressão "Forty Licks", que assinala os seus 40 anos de carreira. As 50 mil pessoas que tinham bilhete para sábado terão agora de esperar até 20 de Setembro para ver a banda ao vivo.
De acordo com a Imprensa de ontem, no concerto de domingo (foto), Mick Jagger (60 anos), Ron Wood (56), Charlie Watts (62) e Keith Richards (59) não mostraram qualquer sinal de cansaço ou doença. Pelo contrário. Rezam as crónicas que estavam plenos de energia e interpretaram os êxitos que os têm mantido nos "tops" há quatro décadas. "Com ou sem problemas de garganta, Jagger parece possuir o elixir da juventude, correndo pelo palco com uma energia quase comparável à de um adolescente".
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