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Correio da Manhã

Cultura
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Suástica perpetua pai de museu

Centenas de pessoas cruzam-se diariamente com uma cruz suástica na Câmara da Figueira da Foz, mas o símbolo nada tem a ver com o Holocausto nazi.
20 de Fevereiro de 2005 às 00:00
Os figueirenses estão familiarizados com a suástica que decora o busto do jurista e arqueólogo António Santos Rocha (1853-1910), fundador do museu com o seu nome. Só que alguns visitantes embirram com a cruz, coram de vergonha e pedem explicações, ignorando estar perante o emblema da antiga Sociedade Arqueológica da Figueira (1898-1910), que teve em Santos Rocha o principal impulsionador.
Após o 25 de Abril de 1974, com o advento da democracia portuguesa, multiplicaram-se as reacções de protesto, impropérios verbais e artigos na Imprensa a repudiar o que era compreensivelmente identificado com tirania, admiração de Salazar por Hitler, nazismo e fascismo.
Segundo o ‘Dicionário Universal da Língua Portuguesa’, da Texto Editora (1995), a cruz suástica “é símbolo de felicidade, de salvação, entre os brâmanes (sacerdotes indianos) e budistas”, mas foi adoptada pelos nazis alemães, de Adolf Hitler, que tomaram o poder nos anos 30.
O arqueólogo Fernando Coimbra salienta que “a suástica é um símbolo pré-histórico cuja origem se perde na noite dos tempos”.
“Utilizada por inúmeros povos, pelo menos desde finais do VI milénio antes de Cristo, teve uma sobrevivência verdadeiramente extraordinária, pois actualmente ainda aparece na Índia e no Tibete, com carácter simbólico”, afirma Fernando Coimbra no catálogo das comemorações do centenário da Sociedade Archeologica Santos Rocha, que em 1898 adoptou como emblema, precisamente, a cruz gamada (quatro gamas entrecruzadas e unidas pela base; gama é a terceira letra do alfabeto grego).
Na obra publicada em 1999 pelo Museu Municipal Dr. Santos Rocha, aquele arqueólogo do Museu de Conímbriga admite que, “de modo geral, a sociedade dos países ocidentais associa apenas, erradamente, a suástica ao nazismo”.
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