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Correio da Manhã

Cultura
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SUCESSO CONFIRMADO

Cerca de 1500 pessoas assistiram, este fim-de-semana, nos Jardins da Quinta da Magnólia, no Funchal, ao 4.º Funchal Jazz. Seis concertos que confirmaram o sucesso do evento ou não fosse a Madeira uma terra onde existem dois mil músicos e um Conservatório que há muito ensina jazz.
8 de Julho de 2003 às 00:00
David Sánchez
David Sánchez FOTO: d.r.
Foi mesmo a Orquestra de Jazz do Conservatório que abriu o evento tocando, com grande entusiasmo, um repertório dedicado a Count Basie. O vigoroso ataque que os jovens músicos fizeram ao mundo de Basie foi surpreendente, sob a direcção de Pedro Moreira, que há quatro anos os ensaia.
Na segunda parte, a candura dos 81 anos de Toots Thiellemans, o seu virtuosismo na harmónica e a qualidade dos acompanhantes (o trio belga de Ivan Paduart) levaram os "standards" e a bossa-nova a uma dimensão pautada pela excelência.
O Carlos Bica Trio abriu a segunda noite, tocando basicamente temas do seu último disco "What Have They Done To My Song". Jim Black, baterista americano há muito associado a Bica (que também impressionou pelo trabalho com o arco), esteve inspiradíssimo fazendo levantar a plateia em quentes aplausos, graças ao fascinante trabalho de bateria e percussão na sustentação do contrabaixo e da guitarra eléctrica.
A seguir, os Yellowjackets trouxeram o groove e o funky ao ambiente do jazz. Especialistas na área e grandes instrumentistas, depressa “agarraram” o público com o seu calor e entusiasmo.
O ESPÍRITO SUL-AMERICANO
Músico de primeiríssimo plano, mal iniciou a actuação, o cubano Gonzalo Rubalcaba deixou desde logo antever o que seria o seu concerto.
Tocando abertamente jazz moderno nos três primeiros temas, Rubalcaba desenhou, em conjunto com o sax tenor David Sánchez, momentos transcendentais cheios de prodigiosas frases musicais. Depois, mostrou a sensibilidade do espírito sul-americano com uma suite em trio, com boleros, tangos e sons cubanos que proporcionaram ao público momentos maravilhosos.
Rubalcaba voltou a seguir ao jazz , mas no "encore", após uma monumental ovação, entrou na salsa com o tema "Manicera", interpretado em grande estilo.
Na primeira parte, o quinteto de Mário Barreiros mostrou a sua música com temas originais, destacando-se uma grande actuação do saxofonista Mário Santos.
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