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Correio da Manhã

Cultura
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SUCESSO SEM FUTURO DEFINIDO

Os eventos da ‘Coimbra - Capital Nacional da Cultura’, que ontem encerrou oficialmente, vão deixar “muitas recordações” ao ministro da Cultura, para quem o “principal legado” será “a importância de constatar que a cultura é enriquecedora”.
23 de Dezembro de 2003 às 00:00
Pedro Roseta, que falava ao CM após a inauguração do Pavilhão Relógio de Sol, disse que a iniciativa teve por objectivo “o enriquecimento e o desenvolvimento interior de cada pessoa, lançando uma ‘semente’ que desabrochará nas próximas gerações”. Os eventos foram de “extrema qualidade” e de “grande coerência”, pois evidenciaram a “importância da cultura, da ciência e da cidadania para o desenvolvimento da pessoa”.
O ministro da Cultura declarou que o Governo ainda não decidiu a “continuidade” do evento noutra cidade. A aposta “valeu a pena” e “ganhou-se na formação de novos públicos e na criação de novos hábitos”. Igual opinião manifestou Marques Mendes, ministro dos Assuntos Parlamentares, que elogiou quem “ousou fazer” e exortou os portugueses a “ousar valorizar o que é nosso. Temos de ousar realizar para elevar a nossa auto-estima”. “Em tudo na vida há pontos de partida e pontos de chegada e este (o encerramento) foi as duas coisas, um ponto de chegada e um novo ponto de partida para uma maior exigência cultural, para o despertar de novos públicos”, adiantou Marques Mendes, que falava em nome do primeiro-ministro, Durão Barroso.
Os primeiros discursos oficiais de encerramento realizaram-se no Portugal dos Pequenitos, onde foi inaugurado o Pavilhão Relógio de Sol, que convida a uma viagem no património e no tempo, cabendo a primeira intervenção a Viegas Nascimento, presidente da Fundação Bissaya Barreto, proprietária do equipamento.
Para Viegas Nascimento, “não faltou nada nesta ‘Capital da Cultura’, nem os ‘velhos do Restelo’, pois só com eles se fazem as grandes obras”. Na sua opinião, a “maior herança” do evento será a “cultura de associação” que todas as entidades envolvidas geraram.
Após a inauguração do Pavilhão Relógio de Sol, a comitiva seguiu para o antigo refeitório do Mosteiro de Santa Clara, para a exposição colectiva ‘Memórias de Santa Cruz’ e depois para o pátio do Centro de Artes Visuais, onde se encontra a escultura de Pedro Cabrita Reis. À noite foi lançado o audiolivro ‘À margem da Alegria’, de Ruy Belo, no Convento de São Francisco.
UM TOTAL DE 660 EVENTOS OU 44 POR MÊS
Foi há 332 dias, a 24 de Janeiro, que foi oficialmente aberta, pelo Presidente da República, a ‘Coimbra 2003 - Capital Nacional da Cultura’. No entanto, a primeira iniciativa realizou-se três meses antes, a 11 de Outubro do ano passado, com a actuação do circo contemporâneo. Ontem, foi o encerramento oficial e as iniciativas prolongam-se até ao final do mês de Abril. Desde então, realizaram-se 660 eventos, o que dá uma média de 44 por mês.
Trata-se de acções de formação, congressos, colóquios, exposições, espectáculos e projectos de ciência, arquitectura e envolvimento da população, para além dos projectos de ciber-espaço como ‘O fulgor da língua’ e ‘Ciberscópio’. Os espectáculos de teatro e de música foram apresentados 1525 vezes. No primeiro semestre, os eventos registaram a participação de 150 mil pessoas, de acordo com os dados provisórios fornecidos pela organização. Abílio Hernandez, presidente da iniciativa, faz um balanço “muito positivo”, pela “dinâmica cultural” criada, que vai “deixar marcas na cidade. Não tenho dúvidas de que se captaram novos públicos”.
LOU REED
O primeiro concerto da digressão europeia de Lou Reed realizou-se em Julho, no Jardim da Sereia, e foi dos mais aplaudidos do evento. Na plateia havia várias gerações, a provar que a genialidade do rock não tem prazo de validade. O espectáculo teve duas horas e meia.
ROLLING STONES
O recém-inaugurado Estádio Cidade de Coimbra recebeu, em Setembro, os Rolling Stones, que protagonizaram um concerto único e inesquecível integrado na digressão mundial ‘Forty Licks’. Mick Jagger deixou 50 mil fãs de ‘língua de fora’ e a chorar por mais.
ESCULTURA
Eduardo Cabrita Reis inaugurou ontem, no Pátio do Centro de Artes Visuais, a escultura ‘Longer Journey’ que representou Portugal na bienal de Veneza. O autor descreve-a como “uma casa construída sobre estacas com um enorme corredor de aberturas várias”.
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