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Correio da Manhã

Cultura
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SUZANNE VEGA FEZ SONHAR NA AULA MAGNA

Tudo começou com uma história, uma longa história, sobre crianças, memórias de infância e Marlene Dietrich à mistura.
4 de Julho de 2002 às 22:23
"Aqui há tempos tive que cantar para um grupo de miúdos em Nova Iorque entre os oito e os treze anos. Não foi fácil porque as crianças distraem-se facilmente. Foi então que lhes perguntei se tinham posters no quarto. Disseram-me que sim e falaram-me na Britney Spears e em nomes que nunca tinha ouvido. Depois disse-lhes para imaginarem esses posters com vida, sempre a olhar para eles e foi nessa altura que se fez silêncio na sala", contou, entre risos, Suzanne Vega, antes de interpretar "Marlene on The Wall", um daqueles "velhinhos" temas que marcaram o seu espectáculo anteontem à noite na Aula Magna, em Lisboa. "É que quando era miúda, o único poster que tinha no quarto era o de Marlene Dietrich", explicou.

De regresso a Portugal (o primeiro espectáculo aconteceu aqui há uns bons anos em Cascais) Suzanne Vega “mostrou-se como veio ao mundo”, com um enorme sentido de comunicação. E, de resto, foi isso mesmo que terá ficado na retina de todos quantos se deslocaram à Aula Magna.

Ao longo de duas horas, a Cantora de Santa Monica falou de um tal pintor de Liverpool por quem se apaixou no passado, de um senhor chamado Leonard Cohen que a levou a cantar, interpretou alguns dos temas que todos esperavam ouvir e saiu em braços.

É verdade que o seu espectáculo teve mais de emotivo do que de bonito, teve mais de eficaz do que de deslumbrante mas, acima de tudo, marcou. Marcou pela voz sempre inconfundível, pelas canções que já fazem parte do imaginário de todos e pela sobriedade, uma sobriedade que chegou a roçar a sonolência mas que teve o mérito de ter levado o público às nuvens. Difícil, foi mesmo descer lá de cima.
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