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Correio da Manhã

Cultura
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TANTO BARULHO POR TÃO POUCO

Viver com uma média diária de 7 euros, com tudo para pagar, parece ser quase impossível e daria um guião para um ‘reality show’ televisivo
9 de Novembro de 2003 às 00:00
SOBREVIVÊNCIA 'MÁGICA'. Luís de Matos é conhecido como o maior ilusionista português e os seus méritos artísticos são indiscutíveis, de tal modo que justificam o convite realizado para a inauguração do Estádio do Dragão. Mas o artista não é o maior mágico português. Esse título deveria ser entregue às centenas de milhar de pessoas que vivem com as pensões mínimas, que actualmente são de 210 euros e no próximo ano, graças ao aumento de 6% serão pouco superiores a 220 euros. Viver com uma média diária de 7 euros, com tudo para pagar, desde as despesas da casa, à conta da luz, à agua, alimentação, remédios e tantas outras coisas básicas, parece ser quase impossível e daria um guião para um ‘reality show’ televisivo mais dramático que o ‘Survivor’. Em Portugal há muita gente que descontou pelo menos durante 15 anos e consegue o milagre de sobreviver com esse magro orçamento, quando a inflação real para estas pessoas é superior à medida pelo IPC, porque o próprio INE confirma que nos últimos 5 anos os preços dos legumes subiram cerca de 50 por cento e os remédios estão realmente cada vez mais caros. Todavia, na política o que parece é, e o Governo capitalizou o aumento prometido de 6% nas pensões mímicas. O ministro de Estado até promoveu o ‘Paulinho das Feiras’ no Parlamento para receber os agradecimentos de tão generosa medida, embora isso nem corresponda ao preço de um café por dia e ser em duas tranches, uma de 4% no final deste ano e de 2% em Junho, havendo a curiosa coincidência deste acréscimo coincidir com as eleições para o parlamento europeu, que serão certamente um teste ao executivo. Surrealista foi a oposição do PS que só discutiu qual tinha sido o maior aumento das pensões: se os 5, 9% de Guterres, se estes 6% em duas tranches. Tanto barulho, por tão pouco.
VENTOS DE ESPANHA. Depois de tantos séculos de costas voltadas, Portugal e Espanha foram obrigados após a integração na comunidade europeia, a 1 de Janeiro de 1986, a abrirem as respectivas fronteiras. E o que aconteceu era esperado: o País com a economia mais forte ganhou mercado aos mais fraco. Na prática era como se um lince fosse colocado na mesma jaula com um tigre. Para as empresas espanholas, Portugal é um complemento geográfico natural para o seu negócio. Para as portuguesas, Espanha é um colosso. A invasão espanhola já se tornou tão rotineira que todos nós consumimos produtos ‘made in Spain’ e já ninguém se escandaliza com o gigantesco défice comercial entre os dois países que nos primeiros sete meses do ano estava perto dos 20 milhões de euros por dia. Dois euros diários por cada português.
BOLSA. A integração da Bolsa portuguesa na Euronext trouxe más notícias para os pequenos investidores. A negociação é mais cara e desincentiva os pequenos negócios, já sobrecarregados pelas comissões bancárias.
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