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Correio da Manhã

Cultura

Teatro: A tragédia da gente pobre

Pobreza, falta de trabalho, ausência de perspectivas de futuro, emigração massiva. O cenário já foi familiar em Portugal e volta a sê-lo novamente, em pleno século XXI. ‘Do Alto da Ponte’, peça que o norte-americano Arthur Miller escreveu em 1955 e que teve direito a encenação portuguesa cinco anos depois – pela mão da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, no Teatro Nacional D. Maria II – volta agora à cena, no Teatro da Trindade, Lisboa, numa encenação de Gonçalo Amorim (para ver até 27 de Novembro).
11 de Novembro de 2011 às 01:00
João Villas-Boas (Rodolpho) e Maria João Pinho (Catherine) formam o casal de apaixonados cuja relação vai provocar uma tormenta na família Carbone
João Villas-Boas (Rodolpho) e Maria João Pinho (Catherine) formam o casal de jovens cuja paixão despoleta uma verdadeira tormenta na família Carbone
João Villas-Boas (Rodolpho) e Maria João Pinho (Catherine) formam o casal de apaixonados cuja relação vai provocar uma tormenta na família Carbone
João Villas-Boas (Rodolpho) e Maria João Pinho (Catherine) formam o casal de jovens cuja paixão despoleta uma verdadeira tormenta na família Carbone
João Villas-Boas (Rodolpho) e Maria João Pinho (Catherine) formam o casal de apaixonados cuja relação vai provocar uma tormenta na família Carbone
João Villas-Boas (Rodolpho) e Maria João Pinho (Catherine) formam o casal de jovens cuja paixão despoleta uma verdadeira tormenta na família Carbone

Em cena conta-se a história de um casal de meia-idade de ascendência italiana, Eddie e Carbone e a mulher, Beatrice, que criaram juntos a sobrinha, Catherine. Quando chegam à cidade dois imigrantes da família de Beatrice - Marco (Pedro Pernas) e o jovem Rodolpho (João Villas-Boas) - a simpatia que une este último a Catherine vai ser problemática e desencadear uma tragédia familiar que se muito se aproxima do melodrama. A homossexualidade latente de Eddie torna a situação ainda mais complexa.

O espectáculo, que respeita o texto original e o espírito da época em que foi escrito, é interpretado, adequadamente, dentro do registo naturalista, contando para tal com interpretações à altura - sobretudo nos casos de Maria João Pinho (Catherine), Mónica Garnel (Beatrice) e Paulo Moura Lopes (Eddie). O tom patético é, felizmente, atenuado pelo autor pela presença de uma personagem-narrador: o advogado (interpretado de forma superior por Jorge Mota), ora está dentro ora está fora da acção, e, como no teatro épico, é um instrumento fundamental de distanciação que nos permite ver a história sem sofrer demasiado com o sofrimento das personagens.

O dispositivo cénico (de Rita Abreu) dominado pelas transparências onde são projectadas imagens de uma Nova Iorque da década de 50, recria, no essencial, um prédio de dois andares, onde famílias pobres coabitam em espaços reduzidos. Mas esta pequena área habitada pelas personagens é habilmente transformada pela cenógrafa num palco aberto, onde o drama familiar é dado em espectáculo não apenas a quem se senta na plateia, mas também à própria comunidade italo-americana, representada em palco por ‘espectadores' mudos mas cúmplices e interessados. Os juízes de Eddie - e também os seus carrascos.

Proporcionando-nos um agradável serão de teatro, Gonçalo Amorim procura, no final do espectáculo, associar a acção de ‘Do Alto da Ponte' aos recentes tumultos que abalaram a cidade de Londres. Uma ideia tão forçada quanto desnecessária, já que o espectáculo ganha actualidade na triste circunstância em que o País se encontra e, em termos europeus, nas vagas de imigração que não páram de chegar de outros continentes.

Ver de quinta a sábado às 21h00, domingos às 16h00.

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