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Correio da Manhã

Cultura
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Teatro pode ir abaixo

"Estamos cá de pedra e cal, a trabalhar com todo o afinco. A revista nunca será interrompida." Quem o diz é Helder Freire Costa, empresário e produtor do Teatro Maria Vitória, um dos símbolos do Parque Mayer, que a Câmara de Lisboa quer demolir para dar lugar a uma sala de espectáculos maior.
2 de Julho de 2010 às 00:30
Plano de Pormenor do Parque Mayer prevê demolição do Maria Vitória
Plano de Pormenor do Parque Mayer prevê demolição do Maria Vitória FOTO: Mariline Alves

O projecto de remodelação não é novo, mas já tem Plano de Pormenor, aprovado na quarta-feira em reunião camarária. A demolição do Teatro Maria Vitória faz parte do documento, que será encaminhado para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional e, de seguida, alvo de discussão pública e votação final.

"Estamos expectantes. Os problemas do Parque Mayer são de há muitos anos. Isto tinha de andar", diz Helder Freire Costa ao CM, aproveitando para elogiar o diálogo com António Costa e a ambição do projecto, que inclui as renovações do Capitólio, do Teatro Variedades, parques de estacionamento subterrâneos e a reabilitação da área do Jardim Botânico de Lisboa.

No entanto, o produtor do Maria Vitória também não esconde algum cepticismo sobre a evolução da obra, agora em discussão. "Esperei vinte e tal anos por isto. Agora foi pré-aprovado um Plano de Pormenor. Se calhar, vamos ter de esperar mais 20 anos para ver tudo concluído", ironiza.

Uma coisa é certa para Helder Freire Costa: mesmo se o teatro de revista for demolido, para dar lugar ao novo espaço que terá 600 lugares, a produção não pára. Segundo afirmou ao CM, seguem os trabalhos que darão forma à nova peça ‘Vai de Em@il a Pior!’, que estreará em Setembro. Mais para a frente, se ficar sem o actual Maria Vitória, o teatro deve continuar no Variedades, que será o primeiro a ser recuperado. Até ser possível subir ao novo palco.

SAIBA MAIS

HAVIA FEIRA NA ROTUNDA

A criação do Parque Mayer há 88 anos veio substituir a Feira da Rotunda que existia, em Lisboa, no actual Parque Eduardo VII, com comércio, petiscos e diversões.

1922

No ano de arranque, abriu logo o Teatro Maria Vitória. Surgiram depois Variedades (1926), Capitólio (1931) e ABC (1956).

2,5

milhões de euros pagou a câmara de Santana ao arquitecto Frank Gehry por projecto inexistente.

JOGO NO CLUBE MAYER

O reduto do Palácio Mayer acolheu em 1918-20 o clube nocturno Mayer com jogo e shows.

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