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Correio da Manhã

Cultura
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Tédio na Casa dos Bifes

O actual espectro da dança francófona – uma das mais vigorosas, sólidas e produtivas do mundo – é rico e variado. Só assim se explica o ‘fascínio’ que a Culturgest tem pelas companhias além-Pirenéus tendo apresentado este fim-de-semana ‘Casa dos Bifes’, de Giles Jobin, uma peça que prima pela sensaboria.
10 de Janeiro de 2006 às 00:00
Após o desastre de ‘Delicado’ (criação de Jobin num dos últimos espectáculos do Ballet Gulbenkian), a programação de dança da Culturgest revela algum autismo e uma certa tendência para um masoquismo que tenta legitimar, entre outras coisas, obras descabeladas de um ou outro coreógrafo português que por ali tem passado.
Numa cozinha modular, três mulheres e outros tantos homens – dois dos quais em cuecas – executam tarefas, pontuando as trocas de adereços e a transmutação de mobiliário. Muita da movimentação (coreografia seria uma palavra muito optimista) baseia-se na construção e na desconstrução, sendo habilmente iluminada mesmo quando se trata de subtrair objectos, espalhar fotos pelas prateleiras ou atirar livros para o ar.
A certa altura, todos os móveis são deslocados para o lado e os artistas, que parecem muito bem treinados, ensaiam umas curtas sequências de movimento. Mas foi Sol de pouca dura, pois a esperança de ver dança encorpada e substantiva rapidamente se desfez na ‘poesia’ do vazio, no elogio do absurdo e no soporífero trazido por uma espessa camada de simbologias domésticas em constante mutação.
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