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Correio da Manhã

Cultura

Temos de aprender a lidar com a morte

Até meados deste mês é possível ver, no Teatro Mirita Casimiro, no Estoril, ‘A Visão de Amy’, uma peça de David Hare que mostra o percurso de uma mulher que, para conseguir crescer e “ser pessoa”, tem de romper com a mãe, figura de personalidade dominadora que tudo abafa com a sua presença exuberante.
1 de Julho de 2007 às 00:00
Irene Cruz e Renato Godinho em 'A Visão de Amy', espectáculo em cena no Teatro Mirita Casimiro, no Estoril
Irene Cruz e Renato Godinho em 'A Visão de Amy', espectáculo em cena no Teatro Mirita Casimiro, no Estoril FOTO: direitos reservados
Trata-se da segunda peça de um ciclo que Carlos Avilez e o TEC – Teatro Experimental de Cascais – estão a dedicar à temática feminina e que começou com a ‘Medeia’, de Mário Cláudio, e que terminará com um inédito de Augusto Sobral.
Mesmo depois de casada e mãe de filhos, Amy – a nossa suposta heroína – não se consegue livrar dos exigentíssimos valores que a progenitora, Eva, exibe e impõe aos outros como padrões definitivos e indiscutíveis. Quando, perante um acidente de percurso – vê-se subitamente endividada para além da possibilidade de pagar –, Eva tem de reavaliar as suas convicções, Amy descobre, afinal, que o seu ídolo tem pés de barro e que pode, finalmente, se tornar uma mulher completa. Quebrou-se o cordão umbilical.
A história da peça é complexa – assim como as personagens – e está desenhada dentro dos moldes da dramaturgia convencional: apresenta a situação, desenvolve-a, leva o conflito ao paroxismo, para resolver tudo no final.
No entanto, e tal como na vida real, o desfecho não é exaltante. Mostra-nos, pelo contrário, que para crescermos, teremos de aprender a lidar com a morte. A física e as pequenas mortes morais que as decepções implicam sempre.
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