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Correio da Manhã

Cultura
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“Temos um presidente supremacista branco”

Colson Whitehead junta real e fantasia no premiado romance ‘A Estrada Subterrânea’.
Leonardo Ralha 30 de Outubro de 2017 às 01:30
Colson Whitehead regressou a Lisboa para apresentar o seu romance ‘A Estrada Subterrânea’
Colson Whitehead regressou a Lisboa para apresentar o seu romance ‘A Estrada Subterrânea’
Colson Whitehead
Colson Whitehead regressou a Lisboa para apresentar o seu romance ‘A Estrada Subterrânea’
Colson Whitehead regressou a Lisboa para apresentar o seu romance ‘A Estrada Subterrânea’
Colson Whitehead
Colson Whitehead regressou a Lisboa para apresentar o seu romance ‘A Estrada Subterrânea’
Colson Whitehead regressou a Lisboa para apresentar o seu romance ‘A Estrada Subterrânea’
Colson Whitehead
Correio da Manhã – Transformou uma metáfora histórica numa linha subterrânea real. Como lhe surgiu essa ideia?
Colson Whitehead – O caminho de ferro subterrâneo foi uma rede de gente boa a ajudar escravos em fuga. Mas na infância pensava que havia mesmo carruagens. Comecei há 17 anos, com a ideia de um comboio. Depois apercebi- -me de que não conseguia fazer esse livro. E esperei.

- O que obteve com a espera?
- Tornei-me num escritor melhor. Pensei usar o registo de ficção científica, mas li o ‘Cem Anos de Solidão’, de Gabriel García Márquez, e a mistura de realidade e fantástico pareceu-me servir melhor a história do que saltos temporais.

- Apesar de decorrer no século XIX, ‘A Estrada Subterrânea’ é um produto do movimento Black Lives Matter?
- Escrevi o livro na emergência do movimento, mas para mim são coisas separadas. Nos EUA falamos de violência policial de tanto em tanto tempo, e paramos. Dito isto, temos um presidente supremacista branco e vi que os negros livres e escravos em fuga eram descritos pelos patrulheiros com a mesma linguagem usada hoje para descrever jovens negros abordados pela polícia.

- Viver nos EUA ainda pode ser tão difícil para jovens negros quanto era para as suas personagens?
- Não sendo escravizados nem linchados, tememos pela nossa segurança se somos parados pela polícia. Houve progressos, claro, mas se tenho de dizer "não somos escravizados nem linchados"… 

Odisseia de Cora valeu o prémio Pulitzer a um romancista marcado pela pesquisa
‘A Estrada Subterrânea’ (Alfaguara) é o sexto romance de Colson Whitehead e o melhor recebido, com o Pulitzer, entre outros prémios.

Para escrever a odisseia de Cora, que foge de uma plantação na Georgia, o americano fez uma pesquisa histórica que o marcou: "Não vi nenhuma série ou filme sobre escravos desde então. É a minha estranha forma de lidar com isso."
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