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Correio da Manhã

Cultura
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Tenho outra tranquilidade

Djavan é um homem diferente. O músico brasileiro, que amanhã e depois apresenta o álbum ‘Vaidade’ nos Coliseus de Lisboa e Porto, respectivamente, está mais feliz e babado com o nascimento da filha ‘caçula’, Sofia.
19 de Março de 2005 às 00:00
Correio da Manhã – ‘Vaidade’, álbum que serve de pretexto para a sua visita a palcos lusos, é o primeiro a ser editado pela sua própria companhia discográfica. Como surgiu esta empreitada?
Djavan – A ideia surgiu há uns três anos. Já tinha um estúdio e a minha própria estrutura de promoção, mas comecei a interessar-me pela possibilidade de tornar-me totalmente independente. Depois de 20 e tal anos de carreira, gosto de desafios novos porque me motivam para continuar a evoluir.
– É o primeiro artista brasileiro a conseguir concentrar em si mesmo todos as fases do processo de produção dos próprios discos...
– É verdade. Quando comecei a delinear o projecto da editora, a indústria discográfica estava a atravessar uma crise terrível por causa da pirataria. Aliás, esse problema persiste um pouco por todo o Mundo. Mas fui fazendo as coisas devagarinho, dando passos seguros, e hoje, quando olho para os resultados, vejo que essa independência total foi o melhor que poderia ter feito.
– Quando chegou ao estúdio para gravar este disco, levava apenas uma música pronta! Como surgiram as outras canções?
– Funciono quase sempre assim [risos]. Preciso da pressão, da atmosfera do estúdio, de estar rodeado de instrumentos para trabalhar com afinco! Mas quando estou no estúdio, a vontade de compor é muito grande e as músicas surgem rapidamente, de forma espontânea. Acho até que era capaz de fazer dois ou três discos numa única sessão de estúdio. Quando começo não paro!
– Os seus filhos, Max e João, participaram no disco como músicos e estão a acompanhá-lo na digressão. Por outro lado, ‘Vaidade’ tem uma canção dedicada à sua filha Sofia, de poucos meses. É um álbum muito íntimo...
– Não há nada no Mundo mais importante do que a família! Sou nordestino e, talvez por isso, esses valores estão muito presentes na minha pessoa. As pessoas do nordeste são mais solidárias e fraternas. Mas neste disco a família está mais presente do que nunca. Algumas canções reflectem directamente o nascimento da minha filha, Sofia, e o meu segundo casamento com Rafa, uma pessoa muito especial e delicada. Quandos os meus primeiros filhos nasceram, estava no início da minha carreira e não tive tempo para saborear a paternidade. Agora é diferente. Estou mais presente, tenho outra tranquilidade e perspectiva da vida. Voltar a ser pai foi uma redescoberta.
– Vive uma nova fase da sua vida, portanto...
– Completamente. Estou muito feliz a nível pessoal e profissional. Só peço a Deus que continue a dar-me energia e motivação para compor, cantar, fazer concertos e que o caminho que traço todos os dias continue a ser positivo.
– Como vão ser os espectáculos de Lisboa e Porto?
– Vou apresentar canções do novo disco, mas também algum repertório mais antigo. Canto ainda canções de outros autores, como é o caso do Roberto Carlos. O meu objectivo é fazer com que as pessoas saiam dos concertos com uma sensação de paz e tranquilidade, porque essa é a verdadeira essência dos meus espectáculos.
PERFIL
Nascido no seio de uma família pobre, em Maceió, que lhe incutiu a paixão pela música, Djavan formou ainda muito jovem a sua primeira banda, os LSD. Em 1973, partiu de armas e bagagens para o Rio de Janeiro, para trabalhar como ‘crooner’. Com a edição do primeiro álbum, ‘A Voz, o Violão, a Música de Djavan’ (76), onde se incluia o êxito ‘Flor de Lis’, surpreendeu o Brasil com seus dotes de compositor. A partir de então, construiu uma das mais sólidas carreiras do panorama musical brasileiro. Aos 56 anos, há mesmo quem o compare ao vinho do Porto: ‘quanto mais velho melhor!’.
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