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Correio da Manhã

Cultura
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TENTAMOS ROMPER O SISTEMA

O pequeno Auditório do CCB recebe esta noite o Festival Trama, um evento que visa promover a nova música brasileira. A noite, que conta com a participação especial de Otto, faz alinhar Jair Oliveira, Patricia Marx, Wilson Simoninha, Mad Zoo e Max de Castro. O 'CM' falou com este último, que vem apresentar o seu novo álbum, “Orchestra Klaxon”
19 de Outubro de 2002 às 00:10
Correio da Manhã - O que é que se pode esperar da sua actuação esta noite?

Max de Castro - O que quero é dar uma pequena mostra do meu trabalho. Vou apresentar uma coisa bem eclética e misturada.

- Nos últimos anos têm aparecido no Brasil vários projectos de espírito modernista. Você é um deles. Tem sido difícil a tarefa?

- Tentamos romper o sistema e quando alguém o tenta fazer é sempre complicado. Nós temos consciência que ainda há muito por fazer. Há uma geração nova que pensa de maneira diferente e sinto que está a ficar cada vez mais claro que há uma nova música brasileira.

- Podemos estar perante um novo tropicalismo?

- O que se está a passar na música brasileira não é uma repetição de nada. O grande trunfo desta geração é que faz a música pela música e tem prazer em mostrar o que faz. Não existe nenhum compromisso com o sucesso. Nós estamos mais preocupados com a qualidade daquilo que fazemos.

- O seu trabalho é muito influenciado pela música electrónica. Para muitos o seu cruzamento com a música de raízes mais brasileiras pode parecer uma heresia. Isso não vos incomoda?

- A electrónica é só mais um elemento ao nosso dispor. O avanço estético que a música electrónica promove é muito interessante. Hoje em qualquer linguagem musical há espaço para utilizar aquilo que se entender. Até temos exemplos de rock cruzado com música sinfónica. Penso que isso revela o quanto o mundo da música tem para nos oferecer.

- E acha que o público tem percebido isso, nomeadamente em relação ao seu trabalho?

- Acho que sim. As críticas têm sido muito boas. No Brasil até já se cantam as minhas canções (risos).

- O seu primeiro disco “Samba Raro” era mais egoísta. Este conta com uma série de colaborações. Porque é que sentiu a necessidade de abrir as portas do seu trabalho?

- Como artista, não acho interessante fazer o mesmo que se fez no passado. Acho que é muito bom procurar novas experiências e novas formas de abordar a música. Por isso nada melhor do que ouvir outras opiniões e conhecer novos métodos de trabalho.

- O que conhece de Portugal e da música Portuguesa?

- Só a Maria João. Mas tenho muita curiosidade em conhecer Portugal. Sei de alguns artistas brasileiros, como Lenine e Gabriel O Pensador, que dizem que Portugal é uma loucura.

PERFIL

Guitarrista, produtor, compositor e cantor, Max une a modernidade às raízes da música brasileira. Durante os anos de 1998 e 1999 integrou o projecto Artistas Reunidos, com alguns dos novos nomes da música brasileira. Em 2000 lançou o primeiro disco, “Samba Raro”, que levou alguns a classificá-lo de “génio”. Nesse ano ainda recebeu o prémio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de artista revelação.
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