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Correio da Manhã

Cultura
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Tesouro na Gulbenkian

Quando Loius-François Cartier retomou em Paris o ateliê do seu mestre, em 1847, estava longe de imaginar o império que estava a fundar. Hoje, a prestigiada colecção Cartier reúne 1300 peças e, na Fundação Calouste Gulbenkian, mostram-se 230 jóias deste espólio na exposição ‘Cartier 1899-1949. O Percurso de um Estilo’.
15 de Fevereiro de 2007 às 00:00
Pierre Rainero mostra um diadema em diamantes de 1910 que pertenceu à condessa de Essex e foi recuperado em leilão pela Cartier em 1990
Pierre Rainero mostra um diadema em diamantes de 1910 que pertenceu à condessa de Essex e foi recuperado em leilão pela Cartier em 1990 FOTO: João Miguel Rodrigues
A História da joalharia viaja assim entre esmeraldas, safiras, ametistas e diamantes que ocultam segredos dos seus proprietários. Um deles, Calouste Gulbenkian, contemporâneo de Louis Cartier, neto do fundador, foi um atento coleccionador de jóias e, no museu, estão expostas cinco peças da sua colecção particular, uma das quais a Cartier julgava perdida.
“Foi com grande emoção que descobrimos, quando decidimos fazer esta exposição, que os cofres da Gulbenkian preservavam esta extraordinária jóia que há muito julgávamos perdida”, disse Pierre Rainero, director de património da Cartier, na conferência de imprensa ontem realizada no Museu.
A casa-mãe, em Paris, preserva esboços do pendente ‘Coluna Grega’, datado de 1913, mas perdera o seu paradeiro. O ‘reencontro’ com esta e outras jóias de Gulbenkian valoriza a mostra comissariada por Nuno Vassallo e Silva e Maria Fernanda Passos Leite, que marca ainda o 50.º aniversário da Fundação.
Num conjunto que desfila luxo em duas galerias, oculta-se o valor “incalculável” das peças, como salientou ao CM Maria Fernanda, reforçando o segredo bem guardado pela Casa Cartier que, desde 1983, foi juntando as jóias ‘perdidas’ que ia adquirindo aos proprietários e herdeiros e através de leilões.
Algumas das peças são acompanhadas de fotos que ilustram momentos da vida dos seus proprietários, como o caso de um diadema de diamantes (1910) pertencente a Isabel, rainha da Bélgica, ou de um alfinete (1949) vendido à duquesa de Windsor, a mulher que levou Eduardo VIII a abdicar do trono britânico, e recuperado em leilão pela Cartier. Dois exemplos entre as muitas peças: cigarreiras, relógios, pendentes, tiaras e até um minúsculo pente para bigode... Uma viagem pela inspiração oriental, art déco e todas as influências que trespassam quatro décadas de arte.
Parte daquela que Rainero classifica como “uma das mais importantes colecções de jóias do Mundo” mostra-se até 29 de Abril em Lisboa, de onde segue para o Museu do Kremlin, em Moscovo.
PERFIL
Em 1847, Louis-François Cartier retoma do seu antigo mestre, Adolph Picar, o ateliê de joalharia em Paris e inicia um império. O negócio foi crescendo em família, primeiro pela parceria com o filho Alfred, em 1872, depois, em 1898, com a criação da Alfred Cartier & Fils, empresa liderada por Alfred e pelo seu filho mais velho, Louis. Em 1904 morre o fundador e, ainda no início do século, os seus três netos – Louis, Pierre e Jacques – lideram cada uma das sucursais Cartier: Paris, Londres e Nova Iorque. Hoje, depois de mudar para as mãos de investidores privados na década de 70, a Cartier contabiliza 160 anos de História, múltiplas colecções de jóias e acessórios e várias lojas espalhadas pelo Globo, entre as quais a de Lisboa.
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