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Correio da Manhã

Cultura
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'The Boss' e recados ao Governo no fim do Rock in Rio Lisboa

Levou quase 20 anos para voltar a Lisboa mas valeu a pena, como diriam muitas das 81 mil pessoas presentes na noite de domingo no Parque da Bela Vista. Com a E Street Band, Bruce Springsteen, mais conhecido por 'The Boss', reinou naquela que terá sido a noite mais apoteótica deste Rock in Rio Lisboa.
4 de Junho de 2012 às 11:15
Bruce Springsteen regressou a Portugal, quase dois décadas mais tarde, e encantou 81 mil no Parque da Bela Vista
Bruce Springsteen regressou a Portugal, quase dois décadas mais tarde, e encantou 81 mil no Parque da Bela Vista FOTO: Manuel de Almeida/Lusa

Deixando para o final êxitos intemporais, como 'Born in the USA', 'Glory Days' e 'Dancing in the Dark', Springsteen não se poupou na entrega e envolvimento com a plateia durante quase hora e meia de revivalismo.

Enérgico, imparável e com voz poderosa, 'The Boss' percorreu uma carreira de hits que atravessam gerações - perante uma assistência a rondar os 30/40 anos - e desfilou canções conhecidas de todos como 'Death in My Hometown', 'No Surrender', 'Working on the Highway', 'Promised Land' ou 'The Rising'.

"Está alguém a faltar?", perguntou, num português muito razoável, antes de põr todos de mão no ar, a acenar. "Esta é sobre coisas que ficam para sempre", voltou a gritar, na língua de camões, em 'My City of Ruins'.

As piadas em português sucederam. "Onde está a Maria? Ficou em casa a cuidar das crianças", brincou o norte-americano de 62 anos, sempre imparável, perante risota geral de uma multidão que não arredou pé até ao final. E que ainda viu uma criança de caracóis bem definidos a cantar com 'The Boss', em palco, o refrão de 'Waiting on a Sunny Day', em mais um momento memorável desta noite intensa de lua cheia.

"Viémos com uma missão", gritaria ainda Bruce Springsteen, com a irrepreensível E Street Band em fundo, para gáudio dos milhares presentes. E a missão foi totalmente cumprida com a sensação de ter valido a pena ir ao último dia do Rock in Rio, numa noite de céu limpo e com um cartaz dos mais enérgicos desta edição.

XUTOS METEM MULTIDÃO A CANTAR PARA "COELHINHO" 

Antes, a banda favorita dos portugueses já justificara, também, uma das maiores enchentes da edição de 2012. Presença habitual na Cidade do Rock, os Xutos & Pontapés deram este domingo um concerto memorável e não esqueceram a situação nacional, levando 81 mil pessoas a cantar (e rir), em coro, um refrão bem adaptado: "Coelhinho se eu fosse como tu pegava na troika e metia-a no..."

 


Depois de 'Contentores' a abrir um concerto cantado em eco em português, os veteranos atiraram-se a temas de todos como 'À Minha Maneira', 'Barcos Gregos', 'Remar Remar' e 'Circo de Feras', num ritmo veloz de cortar a respiração. Zé Pedro agradeceu a "honra e prazer" de actuar em Lisboa num cenário como o da Cidade do Rock e Tim lembrou a presença da banda em cinco edições consecutivas, qual 'prata da casa'.

'Tonto' trouxe ao microfone o baterista Kalu, apenas num 'dueto' dividido com Zé Pedro, e 'Chuva Dissolvente' e 'Casinha' fechariam o espectáculo muito aplaudido.

Antes, a multidão vira ainda o melhor concerto da noite com os britânicos James a justificarem a fama à escala global. Depois de o Parque da Bela Vista ver Tim Booth em transe a dançar 'Tomorrow' e descer à plateia para cantar em cima do público - literalmente! -, ainda houve tempo para mandar recados - em português - ao primeiro-ministro.

"Coelhinho, tens os sonhos da população portuguesa nas mãos, tem cuidado", disse o guitarrista Saul Davies, ele que é casado com uma portuguesa e vive no Porto. Sem t-shirt e a mostrar as letras escritas no tronco nu - onde se lia 'No Jobs for the Boys', o músico aproveitou para questionar: "Porque é que os velhotes não têm dinheiro para pagar conta da luz? E porque é que há escolas a fechar porque o Governo não tem dinheiro para pagar aos professores?"

Noite memorável e de enchente para despedida do Rock in Rio Lisboa que volta em 2014. Para fechar, enquanto milhares deixavam a Cidade do Rock, houve fogo-de-artifício. Para recordar...

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