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Correio da Manhã

Cultura

TODOS FORAM DONOS DO CÉU

Dez anos precisos depois de ter iniciado as suas viagens, Pedro Abrunhosa provou sexta-feira no Coliseu da sua cidade que está, de facto, num excelente momento de forma.
8 de Fevereiro de 2004 às 00:00
Pedro Abrunhosa provou que está num excelente momento de forma
Pedro Abrunhosa provou que está num excelente momento de forma FOTO: Márcia Lessa
Em noite morna, o anjo rebelde da música portuguesa não precisou de ficar com o ‘Diabo No Corpo’ para fazer brilhar a ‘Lua’ num concerto – ou melhor, uma celebração –, em que a lotada plateia lhe devolveu o dobro de tudo o que ele lhe deu. Até pedir ‘Socorro’, num apelo em versão rapper, foi “preciso ter calma”.
De calças brancas, e um blusão laranja, Abrunhosa abriu a prestação com ‘Viagens’. Num segmento intimista e pausado, sentou-se ao piano e, em dueto com Cat, declamou ‘Sempre’. Tinha pela frente “mais uma noite a vencer” e em tom ciciado interpretou ‘Deixas Em Mim Tanto De Ti’, tangendo as cordas de um lirismo dolente, embalado pela orquestra Sinfonietta de Lisboa. Não demorou contudo a chegar a hora do ‘Tudo ou Nada’.
Dividindo a voz com Diana Basto e Cat, Abrunhosa mostrou que ‘Eu e Tu Somos Iguais’. ‘Algarve’ – uma estreia ao vivo –, anunciou a passagem para o segmento mais explosivo do concerto. A matriz soul-funk ficou bem patente no tributo a James Brown, com ‘É Preciso Ter Calma’, entremeada com acordes de ‘Sex Machine’.
Mr. Soul teria apreciado ouvir ‘Diabo no Corpo’, a canção que Baudelaire não se importaria de assinar. O dueto com Lenine assanhou o auditório, numa explosão que atingiu o auge no final eufórico, com três mil ‘fandemónios’ a cantarem ‘a capella’ ‘Tudo O Que Eu Te Dou’.
Antes, porém, denotando um domínio ágil dos tempos e ritmos, Abrunhosa solou no piano ‘Tu Não Sabes’ e ‘Aleluia’, em preito de homenagem ao falecido irmão Paulo. Não demorou, todavia, a declarar a apoteose, até não poder mais. A batida soul-funk reeditou-se pujante, sustentada por vibrante secção de metais e o Coliseu foi ‘Acima & Abaixo’. Como um adorável sátiro, Pedro provocou ‘Talvez F****’… quem tem poder. Mas, poderoso foi o tempo de apogeu declarado, na companhia de Cat e Lenine, com ‘Momento’ e ‘Eu não Sei Quem Te Perdeu’. Em noite de lua cheia, todos foram donos do céu azul turquesa de Abrunhosa!
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