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Correio da Manhã

Cultura
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Tom Waits em tríptico

Enciclopédia viva da música da América, Tom Waits está de volta ao activo com um ambicioso trabalho. Leva o título de ‘Orphans’ e reúne três discos que são a mais soberba síntese de carreira do músico. Um tríptico B, dividido em ‘Brawlers’, ‘Bawlers’ e ‘Bastards’, cada um deles correspondendo a uma determinada faceta musical do seu autor. São 54 canções, 30 delas originais, numa edição de luxo.
19 de Novembro de 2006 às 00:00
‘Brawlers’ é o mais cru, eléctrico e excitante dos três registos, com Waits a insistir nos blues e a destilar energia. É, sem dúvida, o seu mais empolgante e visceral registo desde ‘Mule Variations’ de 1999, com composições em que o ritmo (intrincado, por vezes) se sobrepõe à melodia. E depois há pormenores líricos de excelência, de fina ironia e olhar corrosivo, como em ‘Road to Peace’, uma das melhores canções do disco. Assim como ‘LowDown’, ‘Bottom of the World’ e ‘Lord I’ve Been Changed’.
O segundo disco, ‘Bawlers’, é Waits em jeito de balada, excelente igualmente, numa viagem que vai da folk céltica à country, vaudeville, jazz... O privilégio vai agora para o piano ao invés da guitarra eléctrica, para os arranjos delicados e envolventes, com a voz Waits a sobrepôr--se, grave e arrepiante. ‘Long Way Home’, ‘World Keeps Turning’ e ‘Goodnight Irene’ são temas maiores de um disco brilhante.
Depois, a fechar, o último B, de ‘Bastards’: uma delirante colecção de experimentalismos, recitais de ‘spoken word’. Tom Waits no seu melhor, portanto!
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