Entre as exigências está a revisão urgente do modelo de carreiras que resulte num acordo com as estruturas representativas dos trabalhadores.
Os trabalhadores da Casa da Música, no Porto, convocaram uma greve de seis dias para este mês, exigindo a revisão "urgente" do modelo de carreiras, que alegam ter sido "instituído unilateralmente" pela Administração, foi esta segunda-feira anunciado.
O pré-aviso de greve, lançado pelo Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos, do Audiovisual e dos Músicos (Cena-STE), e ao qual a Lusa teve esta segunda-feira acesso, abrange "todo o trabalho, em todos os turnos, em território nacional, nas instalações ou em exteriores, na Fundação Casa da Música, com início a 11 de Maio e término a 16 de Maio de 2026 (duração de 148 horas)". O pré-aviso abrange todos os trabalhadores da Casa da Música, com exceção dos músicos da Orquestra Sinfónica.
Os trabalhadores exigem "a revisão urgente do modelo de carreiras instituído unilateralmente pelo Conselho de Administração da Fundação Casa da Música", defendendo que esta seja "realizada em negociação que resulte num acordo com as estruturas representativas dos trabalhadores (Comissão de Trabalhadores e representantes sindicais)".
Com a revisão do modelo, os trabalhadores pretendem, entre outros, "anular os reposicionamentos de trabalhadores em categorias profissionais recém-criadas e que correspondam a despromoções ou posicionamento em carreiras mais desfavoráveis", assim como que haja uma "diminuição substancial das diferenças entre os salários de base e os salários de topo".
Num comunicado esta segunda-feira divulgado, o Cena-STE fala num modelo de carreiras "absurdo, discriminatório e mal desenhado, com critérios opacos", cuja "imposição unilateral foi feita com o anúncio de grandes aumentos", mas "vários trabalhadores tiveram aumento zero em relação a 2025, e outros pouco mais de zero".
O sindicato alega que o novo modelo "trouxe um grande número de despromoções para categorias inferiores, sem qualquer explicação nem aviso prévio, de modo a travar as respetivas evoluções salariais", e "colocou nos níveis iniciais de carreira trabalhadores com 20 e mais anos de profissão, com o aviso de que só poderão passar a níveis seguintes mediante avaliações de desempenho futuras - apagando assim toda a carreira e experiência profissional passada".
Além disso, segundo o Cena-STE, o modelo "pretende fixar as diferenças salariais chocantes que têm manchado a Casa da Música, sendo possível que alguns trabalhadores entrem nos quadros a ganhar 10% do salário do administrador-delegado e 20% dos cargos de direção", e "comprime 80% dos trabalhadores na metade menos vantajosa da tabela salarial".
Além da revisão do modelo de carreiras, os trabalhadores exigem também a "defesa do projeto da Fundação Casa da Música, perante a deterioração a que tem estado sujeito em resultado da desvalorização dos seus recursos humanos e dos problemas e insuficiências potencialmente gerados pela forma como foi instituído o modelo de carreiras em causa".
O Cena-STE considera que a Casa da Música se encontra "num estado caótico a vários níveis", sendo "a saída de talentos constante", "as equipas desconsideradas", e "a missão cultural ressente-se".
"Tem sido administrada com falta de noções de gestão cultural, autoritarismo e um desrespeito profundo pelos trabalhadores", alega o sindicato.
A Lusa contactou a Fundação Casa da Música sobre a marcação da greve e aguarda resposta.
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