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Correio da Manhã

Cultura
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Três momentos altos

O público aficionado que se deslocou, sexta-feira, à carismática praça de Alcochete, na corrida de abertura das Festas do Barrete Verde e das Salinas, onde, na realidade, ‘a Festa tem outro sabor’, foi brindado com três momentos de toureio de excelente nível, que valeram bem a ‘noitada’.
14 de Agosto de 2005 às 00:00
O matador José Luís Gonçalves esteve inspirado, numa faena em que se mostrou toureiro ‘assentado’
O matador José Luís Gonçalves esteve inspirado, numa faena em que se mostrou toureiro ‘assentado’ FOTO: d.r.
O primeiro a cargo desse jovem herdeiro de uma dinastia toureira com sede na Herdade da Torrinha, João Telles de seu nome, que, com apenas 16 anos, é já uma certeza. O modo como lidou o bravo toiro de Cabral, levando-o ligado ao cavalo, com suavidade e equitação perfeita, para lhe escolher os terrenos e citar cravando ferros de grande classe, sempre rematados na regra e adornado com ‘toreria’ foi um regalo.
O segundo saída da muleta de José Luís Gonçalves, em noite de inspiração, numa faena em que se mostrou toureio ‘assentado’, a extrair daquele nobre e suave oponente (que era ‘una bendición’, como se diz em Espanha), passes de muita classe, ligando e variando com artística e emocionante sequência de templados voos da flanela vermelha.
O último, a fechar a noite que deixou o público satisfeito, saiu do muito talento e magia dessa figura que já é o toureio estremenho Miguel Angel Perera (bem cotado no ‘escalafón’), que praticamente ‘inventou’ um toiro que lá não estava, metendo-o na muleta à força do seu extraordinário ‘duende’ sentido toureiro, dando-lhe sítio, obrigando-o a investir com suavidade, ao mando da sua muleta templada e dominadora, em séries ao natural que valeram por muitas faenas e que chegaram ao público aficionado,
O resto da corrida, sem desmerecer, e não esquecendo a acção dos forcados comandados por Luís Cebola em três pegas de boa execução e muita garra, ficou marcado por boa actuação de João Ribeiro Telles, ao seu estilo e altura, num toiro que apenas cumpriu uma faena com alguns apontamentos de qualidade (mas demasiado prolongada) de José Luís Gonçalves, ao seu 2.º que não ‘ajudou’, e o comprovado profissionalismo e sentido toureio de Perera no 4.º, que ‘não serviu’, e que ‘despachou’ com agrado geral. Quanto ao toureio ‘a duo’ entre pai e filho, o manso ‘soléne’ que lhe tocou não deu para muito e valeu a boa vontade e a toreria.
Pena que o acompanhamento musical do toureio a pé (cante hondo e ‘bullerias’) tenha soado com decibéis a mais assumindo um protagonismo que o director Manuel Jacinto, que esteve bem na sua missão, talvez pudesse ter mandado baixar de tom!
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